4 de março de 2001. Era já noite, mais precisamente 21h10. O tabuleiro da Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Castelo de Paiva a Entre-os-Rios, colapsou quando várias famílias faziam a travessia. 59 vidas transformaram-se em “estrelinhas no céu”, que, esta sexta-feira, dia 4 de março de 2022, foram recordadas.

21 anos depois, a dor e resiliência dos familiares e amigos das vítimas foram destacadas no assinalar desta data por parte do município de Castelo de Paiva e da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios. O silêncio, a reflexão e a memória fizeram parte do programa, que contou com a celebração da missa em memória das vítimas, na Igreja Paroquial de Sebolido, Penafiel, a bênção de 59 flores, bem como com a colocação de uma coroa de flores no cemitério local.

A cerimónia de homenagem às vítimas decorreu depois no monumento Anjo de Portugal, no lugar de Boure, Santa Maria de Sardoura, em Castelo de Paiva. No final, familiares e amigos das vítimas lançaram as 59 flores benzidas a partir do tabuleiro da ponte.

De tarde, foi ainda inaugurado o polidesportivo do centro de acolhimento da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios, que “vai permitir aos jovens que, na zona exterior, com o enquadramento que tem, eles tenham a possibilidade de fazer atividades físicas, nomeadamente o futebol, o ténis”, explicou o presidente da associação, Augusto Moreira.

Sublinhando que a cripta onde decorre a homenagem às vítimas é “um marco histórico no concelho e no país”, Augusto Moreira lembra que o espaço precisa de algumas infraestruturas, como casas de banho e melhoria de acessibilidades no que diz respeito ao estacionamento, por exemplo.

Em resposta ao desafio, José Rocha, presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, afirmou que: “uma pretensão é dar a tal dignidade para quem nos visita para que possam ter as condições tanto de ambiente, de estar, como de higiene e serão essas as nossas prioridades para os próximos quatro anos neste espaço que é emblemático e tem que ter também toda a dignidade possível”.

“Mesmo passado 21 anos, foi um acontecimento que mexeu com toda a sociedade paivense, mexeu a nível nacional porque, efetivamente, foram 59 vidas que se perderam de uma forma trágica, que ninguém contava e todos nós, paivenses, que presenciámos esse momento temos sempre na mente esse dia fatídico de muito sofrimento, de muita dor e, como é óbvio, essas perdas da forma que foram e o mediatismo que teve provoca sempre feridas que são difíceis de sarar, embora vão cicatrizando, mas ficam sempre presentes nas pessoas e na memória coletiva”, declarou.

“A todos os familiares e amigos das vítimas – nos quais me incluo porque conhecia muitas das pessoas que acabaram por falecer nesta tragédia -, deixar o meu ombro amigo, a minha solidariedade, o meu respeito e amizade porque, efetivamente, eles demonstraram como se pode dar um passo em frente de cabeça erguida, apesar do sofrimento por que passaram, mostraram, efetivamente, que são resilientes e conseguiram dar a volta e conseguiram continuar com as suas vidas. Isso também é muito importante, sem nunca esquecer aqueles que perderam”, continuou.

“Aos familiares, que mantenham a forma digna com que estiveram durante estes 20 anos e continuem a ser o que são, pessoas dinâmicas, pessoas afáveis e pessoas que sabem receber e pessoas que sabem viver e perceber que depois da morte há vida e é nesse sentido da vida que devem dirigir o seu esforço e na ajuda ao próximo”, rematou Augusto Moreira.