Cristina Vieira, presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, explicou esta terça-feira ao Jornal A VERDADE, quais os motivos que a levaram a retirar a confiança política ao até agora vice-presidente da autarquia, Mário Bruno Magalhães.

A decisão foi tornada pública na segunda-feira, dia 5 de setembro, em comunicado enviado à comunicação social. Logo nessa noite, Mário Bruno Magalhães promoveu uma conferência de imprensa, na qual deu a conhecer o seu ponto de vista sobre esta situação.

Na entrevista concedida hoje, Cristina Vieira explicou que esta decisão se concretiza “numa falta de confiança que tem naquele que foi até ontem o seu braço direito”. A autarca indicou ainda que “o engenheiro Mário Bruno Magalhães teve um comportamento reiterado, ou seja, não é um episódio político-partidário que está em cima da mesa que leva a retirar os pelouros. Foi um comportamento inqualificável“.

E continuou. “Durante a sua ação como vereador, e nos pelouros que tinha, o senhor engenheiro Mário Bruno Magalhães várias vezes assumia compromissos com os munícipes que não conseguia cumprir e que, efetivamente, depois, atribuia as consequências, ou as suas responsabilidades pela sua não concretização, à senhora presidente da câmara, aos elementos do executivo e, muitas vezes, até aos técnicos da câmara municipal”.

Para Cristina Vieira, este foi um comportamento do qual não pode “estar conivente” e que “pode pôr em causa a coesão do executivo e põe em causa, certamente, aquilo que é o serviço que queremos prestar aos marcoenses”.

“Não posso ter como meu vice-presidente, como vereador, na minha equipa, alguém em quem não confio e que pode pôr em causa o serviço que prestamos aos munícipes naquilo que são as ações diárias da câmara municipal”, afirmou.

“Aquilo que a presidente da câmara fez, em despacho, não tem nada a ver com a vida partidária. Aquilo que foi feito e assumido por mim e partilhado com os vereadores do executivo é uma ação que tem a ver com a câmara municipal”, explicou, garantindo que esta “é uma atitude que diz respeito à ação da câmara municipal e não a um episódio político-partidário, porque a vida do partido é lá fora e essa não interessa para a vida dos marcoenses, interessa sim àqueles que são militantes do Partido Socialista”.

“A minha preocupação atual é cumprir com a palavra que dei aos marcoenses, e para cumprir com essa palavra tenho de ter um executivo forte, coeso, a trabalhar para dar resposta àquilo que são as necessidades e as suas expectativas”, sublinhou.

Relativamente à alegada “submissão” nas decisões que Mário Bruno Magalhães referiu no dia anterior, Cristina Vieira afirmou não conhecer “nenhuma decisão que tenha sido tomada em reunião de câmara que não tenha sido por unanimidade, o que quer dizer que o senhor vice-presidente em funções esteve sempre de acordo com aquilo que foram as decisões do executivo”. Destacou, no entanto, que “é verdade que, em reuniões informais, havia aspetos que discordámos, ainda hoje discordamos uns dos outros. É assim que a democracia se implementa, discutindo e argumentando”, acrescentou.

Nas declarações prestadas hoje, a presidente de câmara salientou que Mário Bruno Magalhães “tem toda a legitimidade para ser candidato à concelhia do partido, qualquer outro militante tem essa legitimidade. O que está em causa não são os fins, são os meios para chegar a determinados fins”, disse.

“O que ele me disse foi que esperava que eu não fosse candidata. Essa conversa foi tida aqui no meu gabinete no dia 29. Apesar de o senhor engenheiro Mário Bruno Magalhães estar a dez metros do meu gabinete, nunca, em situação alguma, me disse que iria ser candidato do partido e também nunca disse que ia ser candidato do partido contra a Cristina Vieira. O que ele terá afirmado numa das reuniões da comissão política e que estará em ata é que estava disponível para ser candidato contra um outro candidato, Samuel Vieira”, completou.

“O que está aqui em causa não são os timings é a atitude. E, neste caso, a atitude do senhor engenheiro Mário Bruno Magalhães foi, mais uma vez, uma atitude em que ele se escusa na mentira e naquilo que são atos que não deviam ser atos de cobardia para quem está todos os dias ao lado da presidente da câmara, para aquele que é o seu braço direito e vice-presidente, quer na estrutura partidária, porque foi sempre o meu número dois e estamos no segundo mandato, quer na câmara municipal, onde era o meu número dois. Todos os dias estava com o senhor engenheiro Mário Bruno Magalhães e nunca, em circunstância alguma, nem eu nem os meus vereadores fomos confrontados que teria afirmado numa reunião que seria candidato à concelhia”, garantiu.