A CDU Paços de Ferreira emitiu um comunicado no qual defende que “nunca deveria ter acontecido” a concessão de água e saneamento.

“Rejeitamos, no que toca à gestão dos recursos hídricos, a entrega da sua exploração a entidades privadas e a grandes grupos económicos, pois tal acaba sempre por penalizar as camadas mais empobrecidas da população. A água pública foi uma conquista de Abril, garantida na Constituição de 1976. Em Paços de Ferreira nunca deveria ter acontecido esta concessão”, refere o comunicado.

No memorando de entendimento de 2017, celebrado entre a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Águas de Paços de Ferreira, a CDU afirma que “não foi chamada, nem se procuraram consensos mais alargados”.

“No dia 16/05/2022 é feita uma conferência de imprensa em que o presidente da CM de Paços de Ferreira, comunica a sua decisão de avançar para a rescisão unilateral do contrato com a entidade gestora das águas e saneamento do concelho, alegando justa causa. Mais uma vez, a CDU não foi chamada para uma tentativa de consenso alargado sobre esta tomada de posição. Fomos chamados agora, depois de tanto tempo, de reuniões e memorandos aparentemente falhados e depois de decidido e assumido pelo município o avançar para a rescisão do contrato, alegando justa causa”, pode ler-se.

O partido indica ainda que “a responsabilidade desta decisão e do que poderá resultar da mesma, só pode ser de quem a assumiu unilateralmente”, referindo-se a este executivo municipal.

O município de Paços de Ferreira aprovou, em reunião do executivo municipal que se realizou na quarta-feira, dia 27 de julho, a rescisão, com justa causa, do Contrato de Concessão da Exploração e Gestão dos Sistemas de Abastecimento de Água para Consumo Público e de Recolha, Tratamento e Rejeição de Efluentes do Concelho de Paços de Ferreira.

No início da semana, a câmara municipal reuniu com os partidos políticos do concelho e presidentes de junta para debater sobre a rescisão do contrato de concessão da rede de água e saneamento.

Em comunicado, a empresa Águas de Paços de Ferreira (AdPF) negou a existência de “qualquer incumprimento contratual ou legal que justifique uma rescisão contratual”.