Praticamente todos os dias temos exemplos de como o mundo está todo interligado e de que a globalização realmente acontece. Mas a história de Vitorino Leal comprova que mesmo longe é possível fazer a diferença na vida de alguém que necessita de ajuda.

Emigrado na Suíça há 31 anos, “à procura de uma vida melhor”, nasceu em Penafiel e vive em Yverdon-les-Bains. No grupo coral da igreja da comunidade portuguesa que frequenta, o padre transmitiu que “havia muita miséria em Angola” e que seria necessária alguma ajuda para terminar de reconstruir uma igreja e para crianças da escola primária de uma aldeia perto de Cabinda, de onde é natural.

“Na escola, eles não têm meios nenhuns. Muitos deles estão sentados no chão e a escrever no chão. É uma escola que tem à volta de 140 crianças na primária e foi aí que surgiu de a gente poder começar a ajudar já a escola”, conta. A escola foi construída “com dons que o padre Alexandre angariou nos países por onde tem andado em missão”.

Assim, Vitorino Leal, a esposa e os dois filhos vão viajar com mais dois casais, um de Santa Maria da Feira e outro de Marco de Canaveses, até à aldeia em questão para levar algum material escolar para aquelas crianças e outros bens de que possam necessitar. A primeira viagem que vão fazer será de nove dias, em janeiro de 2023, em primeiro lugar, para conhecer o local, a comunidade e o que faz mais falta.

Até lá, Vitorino Leal e as restantes pessoas envolvidas estão a tentar recolher o máximo de material possível, “desde livros, dicionários, gramáticas, lápis, borrachas, afias, marcadores, réguas, esquadros, tudo o que faz parte do dia a dia na escola”.

Esta é a primeira missão de solidariedade dos casais que vão partir de Lisboa no próximo dia 2 de janeiro. O objetivo é “ajudar o máximo” e até servir como “um ensinamento para os filhos” de Vitorino Leal, que têm 10 e 17 anos. “Os bilhetes sou eu mesmo que os pago. Vamos lá dormir num habitante, mas vamos tentar ajudar ao máximo a encher o frigorífico e o que houver e se houver frigorífico. Vamos mesmo à cega, não sabemos de nada”, explica.

“Isto para nós vai ser uma experiência, mas vai ser também uma viagem que vamos fazer. Já fiz bastantes países no mundo, mas aquilo é diferente. São umas férias, não digo o contrário, vamos estar nove dias em Angola, mas, ao mesmo tempo, é uma experiência que vamos viver, que vamos ajudar mesmo e vamos ver onde eles vivem. Quando vamos de férias, vamos para zonas turísticas e, muitas vezes, não vemos a miséria que se passa nesse país”, comenta.

Por esse motivo, o penafidelense fez questão de levar os filhos “para eles verem o quanto eles se estão sempre a queixar que não têm isto ou aquilo, mas que há outras crianças que não têm nem um por cento do que eles têm”.