O gosto pela escrita sempre acompanhou Sónia Moreira, que nos seus diários perpetuava memórias e desabafos “para mais tarde ler e recordar. Essa escrita devolveu-me organização e entendimento sobre tudo o que me rodeava, quer a nível dos meus sentimentos, quer a nível duma vertente mais profissional”, recorda.

Para além da paixão pela escrita, Sónia Moreira complementa o seu mundo com a medicina. Parecem duas áreas que não se relacionam mas, para a médica, a escrita  ajuda-a “a organizar o pensamento enquanto profissional”. Em 2017, criou blog “A mãe e os 3 P’s” cujos P’s são o “Pai”, o “Pedro” e o “Pirata” (cão), onde já escreveu sobre diversos assuntos numa perspetiva de médica, com a devida fundamentação científica e, também, na perspetiva de pessoa, mostrando o seu lado mais humano. “Pode parecer estranha a relação, mas de facto está muito interligado”, sublinha.

A paixão pelas letras ganhou forma e deu lugar ao livro “WOW – Um túnel do tempo?!”. A escrita de um livro “nunca foi um sonho premeditado”, mas foi algo que Sónia Moreira sempre imaginou “num futuro longínquo. Foi ganhando mais forma quando fui mãe, criei o blog e fui consumindo algumas histórias para contar ao meu filho Pedro”, conta.

Sónia Moreira tem um filho com quase cinco anos e será mãe novamente, uma motivação para a escrita de um livro infantil. “Estou numa fase da minha vida em que aprendo muito com o meu filho e estou particularmente atenta a tudo o que o rodeia. Este livro é sobretudo para ele, que é uma das personagens”.

A escrita do livro surge “para o manter focado, no meio de tantos outros interesses que ameaçam roubar a atenção, como o caso das tecnologias. A ilustradora Carla Anjos fez um trabalho excelente em tentar reproduzir as suas características. E ele reconhece-se nas ilustrações e fica muito feliz por se ver retratado”, acrescenta.

“WOW – Um túnel do tempo?!” retrata uma viagem no tempo e foi escrito antes da pandemia da COVID-19, “refletindo parte do que já experienciamos com os confinamentos, como as aulas à distância. Reflete a preocupação atual dos pais e profissionais do ensino e de saúde relativa ao foco das crianças nas tecnologias, que acabam por competir com todas as experiências das brincadeiras no recreio, jogar à bola, andar de bicicleta, jogar à macaca, ao elástico, e de toda a imprevisibilidade que essas atividades trazem”, revela.