Chegaram a Alpendorada, Marco de Canaveses, os 10 voluntários que tinham partido em ação humanitária com vista a trazerem 24 ucranianos. “Trazemos o coração cheio, apertado”, disse ao Jornal A VERDADE o padre Cláudio Silva, das paróquias de Alpendorada e Matos (São João Baptista), Eja (Santa Maria), Torrão (Santa Clara) e Várzea do Douro (São Martinho).

A partida de Portugal foi na quinta-feira, dia 17 de março, com a primeira paragem para entregar os bens recolhidos e visita a uma estação médica, onde tiveram “uma experiência com essa realidade de pobreza, de tristeza, de impotência que é inexplicável”. Ofereceram-se para ajudar no que fosse necessário e, de seguida, deslocaram-se a Varsóvia, na Polónia.

Foto: Paróquia de Alpendorada e Matos (São João Baptista), Eja (Santa Maria) e Torrão (Santa Clara)

Certificadas as identificações, o encontro com as 11 crianças e 13 adultas foi feito com alguma apreensão. “Não é fácil porque vêm para o desconhecido. Apesar de saberem que têm cá gente à espera – a maior parte do grupo tinha a família e amigos -, iam fazer uma viagem com desconhecidos. Ao longo do caminho, foram percebendo que estávamos lá para ajudar”, descreveu o padre.

Foto: Paróquia de Alpendorada e Matos (São João Baptista), Eja (Santa Maria) e Torrão (Santa Clara)

Nas várias paragens que fizeram, tentaram ter, a cada dia, “um gesto diferente para com eles”, desde levarem as crianças a jantar numa cadeia de fast-food, que “foi para eles a melhor refeição do dia” a dormirem num hotel, onde tiveram “a possibilidade de dormir numa cama e tomar um banho”. “Tudo isto tocou-nos muito”, comentou, referindo que a palavra que as mães e as crianças mais diziam era “obrigada”.

“Foi emocionante. Durante o caminho, tínhamos rostos que não sorriam e, chegando a Portugal e encontrando as pessoas que sabiam que iam estar, sorriam. Tivemos um encontro de um filho com a sua mãe que despertou em nós os sentimentos todos e mais alguns”, declarou acrescentando que, “se se proporcionar”, tencionam voltar ao país para trazer mais pessoas.