Vitorino Teixeira Fernandes tem 108 anos (faz 109 já no dia 6 de abril) e é o pai, e avô, mais velho do concelho de Penafiel. Já passou por duas guerras mundiais, mais do que uma pandemia e já viu nove Papas a serem pontificados. Neste dia 19 de março, data em que se celebra o Dia do Pai, o Jornal A VERDADE esteve à conversa com o filho deste centenário, Alexandrino Fernandes, sobre o seu pai.

Tem quatro filhos, seis netos, seis bisnetos e um tataraneto. Ainda “se recorda de tudo o que estudou quando era novo” e há atividades do dia a dia que ainda consegue desempenhar sozinho. “Não é totalmente autónomo, mas ainda faz muita coisa sozinho. Andar é que é mais complicado, porque ele caiu e partiu o fémur e, a partir daí, ficou com a mobilidade condicionada, precisa de um andarilho, porque até aí ele fazia uma hora a pé, todos os dias”, recorda o filho.

Alexandrino, hoje com 81 anos, recorda Vitorino Fernandes como “um bom pai” e atira, após uma gargalhada: “se eu tiver de durar tanto como ele, ainda tenho de cá andar 28 anos”.

A nível mental, “faz inveja a muitos novos” e recorda-se de todas as caras que fazem parte da sua família, bem como de todos os seus amigos. “O maior problema é a audição. Já o levamos ao médico e ele até usa aparelhos, mas não ouve bem”, explicou.

Quanto à restante saúde, “é boa” para a idade que tem. “Toma dois ou três comprimidos por dia e tem o ferro baixo, mas está bem. A nível do coração está bom, para a idade que tem”, afirmou.

Vitorino Fernandes faz questão de, todos os anos, celebrar o seu aniversário, apesar de, nos últimos dois, não ter comemorado “como de costume” devido à pandemia da COVID-19. “Ele já disse que quer convidar todas as pessoas da idade dele. No ano passado, já não apareceu ninguém, porque não há ninguém com tantos anos como ele, pelo menos no concelho”, brincou o filho.

Alexandrino Fernandes recorda Vitorino como “um bom pai” e relembra os tempos que passou na alfaiataria. “Hoje, quando lhe perguntam o que fazia, diz que era ‘oficial de linha’. Todos nós aprendemos com ele e trabalhamos lá, até a minha irmã. Eu saí quando fui para a tropa e os meus irmãos também acabaram por sair, mas aprendemos todos muito com o meu pai”, garantiu.

Hoje em dia, Vitorino Fernandes “é amado” por toda a sua família e Alexandrino passou “todos os ensinamentos” do seu pai para a sua filha. “É um pai muito bom”, terminou o octogenário.