O virologista afirmou esta sexta-feira, dia 22 de abril, que “concorda” com a decisão “importante” de acabar com o uso obrigatório de máscara, decidida pelo Governo perante a evolução da COVID-19 em Portugal.

“É preciso comunicar aos jovens e à sociedade em geral por que razão podemos tirar a máscara, qual a importância da vacinação, no outono, nos grupos de risco e por que motivo é importante usar a máscara de uma forma mais inteligente nessa altura se estivermos em contacto com esses grupos”, disse ao Jornal A VERDADE o investigador do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.

O Conselho de Ministros decidiu o fim do uso obrigatório da máscara, no dia 21 de abril, com exceção dos locais frequentados por pessoas especialmente vulneráveis, como hospitais e lares, ou nos transportes públicos. Relativamente a esta decisão Pedro Simas defende que “do ponto de vista da ciência e da biologia não faz sentido manter-se a máscara nos transportes públicos”, sendo uma medida imposta “do ponto de vista social, da perceção do medo e da saúde mental”. Quanto à obrigatoriedade do uso de máscara em locais de saúde, ”como hospitais e lares”, o virologista, compreende que se mantenha, “porque são frequentados por grupos vulneráveis”.

De acordo com o especialista, a máscara perde eficácia “se não combinarmos com as regras de higiene adequadas. Neste momento, o uso de máscara pode ter eficácia no contexto hospitalar, mas no contexto geral não faz sentido, porque só tem eficácia se for usada com outras medidas de distanciamento físico e de higiene”, salientando também que se “a pessoa usa a máscara numa parte do dia e na outra metade não, é irrelevante”.

Para Pedro Simas, a decisão do Governo “é um bom sinal de que evoluímos” e é, agora, “perante uma realidade completamente diferente”, fundamental, transmitir à população uma mensagem de tranquilidade em relação à COVID-19. “As vacinas vieram substituir as máscaras. Estamos muito bem em Portugal, vai ser sempre preciso proteger os grupos de risco, mas a COVID-19 já não é um problema, é um vírus igual a outros riscos respiratórios”, realçando que “as pessoas não têm de sentir medo ou sentimento de culpa de afetar os grupos de risco”.

As declarações de Pedro Simas surgem na 9ª edição do Dia Aberto do Hospital Santa Isabel da Santa Casa da Misericórdia de Marco de Canaveses (SCMMC), que decorreu no Auditório da Escola Secundária do concelho, onde foram debatidas “As guerras no século XXI – vencer a pandemia” e, ainda, o futuro ao serviço da saúde e da solidariedade social”. Segundo Pedro Simas “nos próximos tempos prevê-se que o vírus se venha a comportar como os outros coronavírus, porque nós construímos a nossa imunidade. O vírus foi selecionado para serem variantes mais nasofaríngeas e menos virulentas”. O virologista conclui que a situação “evoluiu dentro do esperado”.