O Conselho de Administração da Ambisousa – Empresa Intermunicipal de Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) apresentou à imprensa esta terça-feira, 13 de dezembro, as conclusões do relatório da Universidade de Aveiro sobre a instalação e funcionamento da Unidade de Valorização de Resíduos Orgânicos, na Zona Industrial de Parada/Baltar, no concelho de Paredes.

A instalação desta unidade foi anunciada depois “das garantias do estudo de impacto ambiental da Universidade de Aveiro”, informa um comunicado da autarquia.

Este estudo apresentou quatro cenários, sendo que a escolhida foi a quarta opção, “uma vez que será possível atingir o máximo de degradação de sólidos biodegradáveis nos túneis de compostagem, reduzindo a potencial emissão de odores, será ainda possível implementar a neutralização de odores no parque de maturação e junto do biofiltro e, em última instância, fechar o biofiltro e encaminhar o ar, recorrendo à utilização de um ventilador, para dois contentores de carvão ativado”, lê-se no relatório.

Esta solução de “fim de linha é amplamente usada e com sucesso, aplicada em sistemas idênticos e em muitas outras situações”.

Foto: Município de Paredes

A implementação da operação vai permitir atingir os “objetivos futuros de reutilização e reciclagem, particularmente, no que se refere ao desvio da componente orgânica dos resíduos de aterro e obrigação da sua recolha seletiva e posterior valorização”. O tratamento será por digestão anaeróbia, com produção de um digerido que, sujeito a compostagem posterior, vai permitir a produção de um fertilizante a utilizar a nível agrícola. O biogás gerado no processo vai ser valorizado através da produção de biometano a injetar na rede de gás natural e da utilização como combustível, ou seja, gera-se “energia verde e composto orgânico”.

Esta unidade vai ter capacidade instalada para tratar anualmente 25 mil toneladas de biorresíduos, “segundo um tratamento por digestão anaeróbia, cujo biogás gerado no processo será valorizado através da produção de biometano a injetar na rede de gás natural e da utilização como combustível para viaturas de recolha de resíduos”.

A empreitada “deve estar concluída até ao final de 2023” e a recolha seletiva vai ser obrigatória em 2024, informa o presidente do Conselho Executivo da Ambisousa e presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Antonino Sousa.

O investimento total previsto da Ambisousa é de aproximadamente 18 milhões de euros na construção da Unidade de Valorização de Resíduos Orgânicos, o qual contará com uma comparticipação já aprovada de oito milhões de euros pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR).

Foto: Município de Paredes

Trata-se do “maior investimento de sempre no domínio do ambiente na região do Vale do Sousa”, comentou Antonino Sousa.

A construção desta unidade vai refletir-se ainda “nas tarifas dos cidadãos” e tem ainda vantagem a nível da “autonomia energética”. A produção de biogás nesta nova Unidade de Valorização de Resíduos Orgânicos “pode gerar cerca de dois milhões de euros de receita para a Ambisousa”, adiantou o presidente da empresa, esclarecendo ainda que “o cenário quatro dá total garantia, não há risco algum, mas naturalmente é a solução mais cara”.

Já o presidente da Câmara Municipal de Paredes, Alexandre Almeida, assegurou que, depois da apresentação deste estudo e acompanhamento da Universidade de Aveiro, está “ainda mais tranquilo”. “Optamos pela solução que mais garantias nos dá. A partir de 2024 estes resíduos não podem ir para aterro e, por isso, as únicas soluções seriam ou aproveitá-los ou eliminá-los, nós vamos aproveitá-los e transformá-los em valor”, acrescenta.