Tecnologia

As táticas psicológicas das redes sociais são tema do novo documentário da Netflix

Ana Regina Ramos

23-09-2020

"O Dilema das Redes Sociais" aborda o lado negro deste mundo revelado por muitos dos responsáveis por criá-lo

Foto: Netflix/YouTube

“A obsessão com as redes sociais não é um ‘bug’ - é uma funcionalidade” é o pressuposto com que parte o novo documentário da Netflix, “O Dilema das Redes Sociais”, que tem sido comentado por muitos internautas nos últimos dias.

Em pouco mais de uma hora e meia, este documentário, com a realização de Jeff Orlowski, conta com testemunhos de vários funcionários de alguns dos principais gigantes tecnológicos atuais, como a Google e o Facebook, que ironia das ironias, ao explicarem algumas das táticas psicológicas utilizadas para captar a atenção dos utilizadores, também dizem acabar por provar do próprio remédio.

“Há vários serviços na internet que pensamos como sendo gratuitos, mas não são. São pagos por anunciantes – e porquê que estes pagam a essas empresas? Pagam em troca de nos mostrarem os seus anúncios. Nós somos o produto. A nossa atenção é o produto que está a ser vendido aos anunciantes.”

Do outro lado da moeda, apresentam um testemunho de quem não tem conta em qualquer tipo de redes sociais e o que pensa sobre o mundo criado em torno delas.

Ao mesmo tempo, é criada uma reconstituição da realidade da obsessão pelas redes sociais com episódios do dia a dia de um jovem.

A difusão de notícias falsas também não passou despercebida nesta produção disponível na Netflix. Falam na entrada na era da desinformação e que a verdade acaba por não vender por ser “aborrecida”, daí a propagação de informações falsas e, muitas vezes, surpreendentes, que, por isso, causam grande repercussão neste meio - o que, por sua vez, dá algum tipo de proveito (monetário, político, poder, etc.) a quem o difundiu.

No Dia Mundial das Redes Sociais, a 30 de junho, o Jornal A VERDADE lembrou um estudo da Marktest que referia que o Facebook foi a rede social mais visitada em Portugal no ano passado.