Penafiel

"Todos deviam experimentar a dança uma vez na vida porque quem dança é muito mais feliz"

Ana Regina Ramos

29-04-2021

Hoje é Dia Mundial da Dança. O Jornal A Verdade conversou com os campeões nacionais de danças de salão, em Amadores Modernas, que são de Penafiel.

Esta quinta-feira, dia 29 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Dança. A data foi criada pelo Comité de Dança do Instituto Internacional do Teatro, em 1982, e foi escolhida por ser o dia de aniversário (29 de abril de 1727) de Jean-Georges Noverre, o criador do ballet moderno.

Para Bárbara Fonseca e João Rocha, da escola de danças de salão de Penafiel "Merenguita" e Campeões Nacionais de Amadores Modernas em 2019 (pandemia interrompeu os campeonatos desde então), esta atividade começou quando ainda eram pequenos e tornou-se "uma paixão".

Bárbara começou no ballet aos quatro anos para corrigir a postura e um problema nas pernas; experimentou vários estilos de dança ao longo dos anos e acabou por parar nesta escola de danças de salão. Por volta do ano de 2013, os professores pediram-lhe que fizesse uma espécie de casting para ser o par de João Rocha e, desde então, que os dois partilham os palcos e o ritmo.

Foto: André dos Santos Studios

"Sempre foi um hobby", conta ao Jornal A VERDADE, acrescentando que ainda chegou a ponderar se escolhia essa área para seguir na faculdade, "mas outras opções apareceram". "Mas um hobby quase todos os dias", continua, referindo que costumava treinar duas a três vezes por semana, quando conseguiam, na altura em que estavam na faculdade.

É um "hobby sério", completa João Rocha, explicando que dedicam muito tempo e estão empenhados nesta atividade, mas "cada vez é mais difícil" conjugar com o trabalho. "Tudo começou na brincadeira e é sempre muito mais fácil quando estamos a estudar", confessa, lembrando que começou nas danças de salão aos nove anos, nesta escola de dança de Penafiel que é dos seus tios, juntamente com a prima, que, entretanto, teve uma lesão.

Há alguns anos, quando entraram na faculdade, o tempo começou a escassear e praticamente só os fins de semana é que podiam ser dias de treino. "Treinávamos muito pouco tempo, mas, mesmo assim, conseguimos conciliar e acho que o amor à dança venceu. Nunca deixámos, persistimos sempre, conseguimos na mesma os nossos objetivos na altura. Estávamos no top nacional, estávamos sempre nos três primeiros e era esse o objetivo, era manter", afirma João.

Foto: My Dance My Photo - Bruno Prekatado

Contudo, atualmente, aos 27 e aos 25 anos, respetivamente, a vida profissional ainda encurta mais o tempo disponível. Bárbara Fonseca é farmacêutica, trabalho que, nesta época de COVID, conta que duplicou e João Rocha é videógrafo freelancer, por isso, não tem um horário fixo de trabalho. "Tentamos sempre conciliar. Acho que, quando se realmente quer e quando se realmente gosta, tudo é possível e com mais ou menos esforço acabamos por conseguir fazer as coisas da mesma forma", indica o jovem.

Por agora, estão parados, tal como a escola de dança que frequentam, devido à pandemia da COVID-19 e não têm ideia de quando tudo possa retomar como antes, embora aguardem novidades com esperança. "Foram muitos anos na dança", recorda Bárbara, por isso, o "bichinho" e a "saudade" permanecem.

Foto: Merenguita

As diferentes vitórias que têm conseguido em conjunto a nível nacional dão uma sensação de que têm que "trabalhar mais e mais para manter e conseguir mais e representar" o que estão a fazer. "É um prémio de responsabilidade, não de conquista, porque, se conseguimos, temos que mostrar que vamos continuar a conseguir. Mas, claro, é o reflexo de muito trabalho e de gostar também. O gostar vale muito, não é só ter talento, é o trabalho e gostar do que se está a fazer", sublinha Bárbara.

"É ótimo porque sentimos que o nosso trabalho acaba por ser recompensado, mas, acima de tudo, acho que aquilo que nos faz realmente feliz não é os títulos, mas fazer aquilo que gostamos e acho que isso é a maior vitória que podemos ter, porque trabalhamos efetivamente e dançamos porque gostamos muito daquilo que fazemos e nunca trabalhamos para o título", que acaba por ser "uma consequência", afirma João.

Foto: Merenguita

"A dança é quase como se fosse um estilo de vida, fica sempre cá o bichinho e eu digo sempre: quem quiser, que dance! Não interessa que dancem bem, que dancem mal, o que interessa é que as pessoas sejam livres e que gostem de se manifestar através da dança - a sua personalidade e os seus gostos", conclui a jovem.

"A dança é fundamental, é uma atividade fantástica que toda a gente devia experimentar, no mínimo, uma vez na vida porque quem dança é muito mais feliz e quem dança sente realmente a dança e acaba por desligar de tudo enquanto o está a fazer e isso é ótimo e acaba por trazer felicidade consequentemente", remata João Rocha.