Marco de Canaveses

25 de Abril em Marco de Canaveses: “Mais do que nunca devemos valorizar o que, como povo, conquistamos”

Ana Regina Ramos

25-04-2021

Data foi assinalada na freguesia de Bem Viver e contou com a intervenção dos representantes dos grupos municipais dos vários partidos.

Foto: Município de Marco de Canaveses

Este domingo comemoram-se os 47 anos da Revolução de 25 de abril de 1974, que colocou fim à ditadura em Portugal. Em Marco de Canaveses, a data foi assinalada na freguesia de Bem Viver com uma cerimónia que contou também com a atuação da Banda de Música de Vila Boa de Quires.

A liberdade e a sua importância e significado nos dias de hoje foram algumas das palavras mais proferidas nos discursos que decorreram esta manhã que também não esqueceram a situação pandémica vivida, atualmente, em todo o mundo devido à COVID-19.

Foto: Município de Marco de Canaveses

A presidente da Câmara Municipal de Marco de Canaveses, Cristina Vieira, garantiu que “o município continuará a liderar esta luta em todas as suas atribuições e competências, colaborando sempre com as outras autoridades locais e nacionais” e pediu que os marcoenses “não baixem a guarda” neste período de desconfinamento e de vacinação contra esta doença.

“Com este cenário de dificuldade e de incerteza nos dias de hoje que sentido faz comemorar Abril? Todo o sentido! Mais do que nunca, devemos valorizar o que, como povo, conquistamos com a Revolução dos Cravos e sentir ainda de forma mais física o que verdadeiramente significa ver cortadas no dia a dia as nossas liberdades, nem que sejam apenas e simbolicamente as liberdades de movimento”, sublinhou.

Neste âmbito lembrou também “uma das maiores conquistas de Portugal do pós-25 de abril de 74”, o Serviço Nacional de Saúde e o seu fundador, António Arnaut. “Parece bem mais fácil a todos, dadas as circunstâncias, perceberem agora o quão importante é o Serviço Nacional de Saúde na consolidação de um Portugal democrático e que não deixa ninguém para trás, seja qual for a sua condição social ou económica e, por isso, também evoca Abril, a democracia e a liberdade”, completou, agradecendo o trabalho dos profissionais de saúde e de todos os que “continuam a dar o seu contributo”, deixando também uma palavra de “esperança no amanhã” para os mais novos e de “conforto” para os seniores.

“Eu acredito num amanhã melhor e mais seguro para todos e luto por isso; eu acredito no amanhã de Abril: livre e democrático e lutarei sempre por isso”, concluiu.

Foto: Município de Marco de Canaveses

“Abril trouxe-nos também uma nova ordem constitucional que tem um dos seus vértices apoiado no poder local como fator de maior proximidade na resposta aos nossos concidadãos”, recordou, sublinhando que o município “aceitou a transferência de todas as competências administrativas" no âmbito do processo de descentralização e que as duas “áreas de competências assumidas com maior relevância e impacto financeiro e organizacional foram, de facto, a educação e a saúde”. “Com esta atitude proativa na causa pública, o executivo municipal também ajuda a cumprir Abril”, rematou.

Cristina Vieira dirigiu-se ainda aos mais novos para lembrar que “há que participar na construção do bem comum”. “O futuro que querem deve ser construído também por vós e tal só é possível com participação e informação”, referiu, destacando que a construção da sociedade que todos desejam “exige espíritos críticos, participativos e construtivos”, pois só assim fortificarão “as conquistas de Abril de 74, geração após geração, sem passos para trás”.

Sobre este tema, Bruno Caetano, representante do grupo municipal do PS, acredita que o 25 de Abril, “para muitos, não passa de um simples feriado” e que “a descrença dos valores do 25 de Abril tem vindo a dar continuidade a atos eleitorais - e inclusive em Marco de Canaveses - com muito abaixo dos 50 % de participação”. Deste modo, “torna-se necessária a retoma da crença democrática por parte da população e, assim, valorizar as conquistas de Abril". “O 25 de Abril foi, sem dúvida, o mais portante acontecimento da história recente do país e colocou nas mãos dos portugueses os destinos da nossa democracia”, afirmou.

“2021 é ano de eleições autárquicas. Mais um reflexo de Abril que nos trouxe a possibilidade de escolher os nossos eleitos locais, sendo que, anteriormente, as câmaras municipais e os eleitos locais eram sugeridos por autarcas nomeados pelo poder central que em pouco ou nada decidiam. A eleição para os órgãos locais tornou certamente um país mais rico, igual, mais equilibrado e com maior maturidade política, mas ainda nos falta um longo caminho a percorrer”, acrescentou, explicando que, dos valores de Abril, para as próximas eleições, o PS “quer privilegiar quatro dos seus grandes princípios: liberdade, igualdade, verdade e, sobretudo, fraternidade”.

Foto: Município de Marco de Canaveses

O presidente da Junta de Freguesia de Bem Viver, Ricardo Soares, trouxe para o discurso vários nomes que tiveram diferentes papeis na revolução que se celebra e lembrou que o seu mandato está a chegar ao fim, mostrando vontade de o renovar. “Pautados pelos valores de Abril, continuaremos a acompanhar com entusiasmo a redescoberta da nossa terra por aqueles que aqui querem investir, explorar ou trabalhar, próximos de todos e de cada um, cumpriremos a maior conquista da Revolução dos Cravos, o poder local. Nessa certeza, continuaremos a desenvolver estratégias necessárias, inexistentes até então, para o desenvolvimento do nosso turismo, da educação, da ação social, do desporto, ambiente, da relação com o setor empresarial, da saúde, da cultura. Nada nem ninguém ficou ou ficara para trás”, afiançou.

“É com um enorme sentido de responsabilidade e honra que reunimos neste Salão Nobre. Será sempre tempo de afirmar os valores da democracia, será sempre tempo de lembrar o período mais negro da nossa história, de relembrar a repressão fascista, a tortura e a prisão, será sempre tempo de respeitar aqueles que, com coragem, pagaram com a própria vida esta liberdade. Honremos, por isso, até ao último minuto da nossa existência, aqueles que desafiaram com cravos o poder das armas e celebremo-lo com o mesmo entusiasmo com que viveram o 25 de Abril”, concluiu.

Foto: Município de Marco de Canaveses

O representante do grupo municipal do CDS PP, Monteiro da Rocha, apontou que o 25 de Abril “abriu a porta para um regime democrático depois de um longo período de governação autoritária”, mas que “há doenças que a matam [à democracia] e uma delas é a corrupção, que leva à bancarrota e a tentações golpistas e autoritárias” e que “é transversal à sociedade política portuguesa”.

Como “remédios” para esta “doença”, Monteiro da Rocha indicou “a criação de estruturas e procedimentos tendentes a matar a corrupção à nascença, por exemplo, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Judiciária, em vez de andarem só atrás dos prejuízos depois de o mal estar feito, bem podiam acompanhar desde o início grandes processos sensíveis à corrupção, como concursos de obras públicas e grandes empreendimentos urbanísticos”; outro “remédio” seria “uma campanha de sensibilização da população em geral de que a corrupção é um mal que corrói a sociedade e vai mexer com a vida e o bolso de cada um, de modo a acabar com a tolerância e até a admiração que certas camadas ainda têm pelos chico-espertos”.

“As escolas, as igrejas, a comunicação social, as redes sociais têm um papel determinante nessa área. Criando um ambiente hostil à corrupção, esta, certamente, terá mais dificuldade em vingar e, assim, fomentando a cultura portuguesa nas novas nações surgidas no espaço português depois de Abril e combatendo eficazmente a corrupção que põe em causa a democracia, honraremos Abril e as oportunidades que trouxe à sociedade portuguesa”, sugeriu.

Foto: Município de Marco de Canaveses

“A sessão de hoje deve ser homenagem devida a um ideal universal, prestar homenagem à liberdade e dar importância a um valor que nunca podemos considerar definitivamente adquirido. É também celebrar o facto de Portugal se inserir no espaço civilizacional, o Atlântico e o europeu, que mais consolidou a dignidade do ser humano”, proferiu o representante do grupo municipal PPD-PSD, Américo Moreira.

Destacou igualmente que “a revolução não é uma pertença da esquerda” e sim de todos. “Consideramos que o 25 de Abril foi uma conquista nacional porque as revoluções não são deste ou daqueles, mas sim de todos”, acrescentou.

“Abril trouxe-nos acima de tudo a possibilidade de sermos felizes”, continuou, agradecendo a todos que “antes durante e depois lutaram” para que hoje se possa “comemorar, discursar, refletir e até criticar” e sublinhando que “há ainda muita revolução para se fazer”.

Sobre o concelho, comentou que “precisa de ser dotado de uma rede de infraestruturas básicas que respondam aos anseios das suas gentes, é obra que não se vê, mas é obra que se sente”. “O PSD do Marco de Canaveses não abdica hoje, como nunca abdicará, de construir as melhores soluções para o concelho”, numa política “onde a nobreza seja uma questão de honra, uma pedra de toque, uma política para o bem-estar, para a prosperidade e para a felicidade, porque é para se ser feliz que se fazem as revoluções”.

Foto: Município de Marco de Canaveses
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