Amarante

Corujas do mato encontradas a viver no centro de Amarante

Ana Magalhães

04-05-2021

Os técnicos da Câmara Municipal de Amarante encontraram um ninho de coruja com dois ovos, durante o trabalho de podas de formação e segurança nos exemplares arbóreos, bem como do abate de espécies invasoras no centro da cidade.

Após contactar a Officina Noctua - que desde 2014 observa e recolhe imagens e informação das aves que habitam no concelho – ficou-se a saber que se trata de um casal de corujas-do-mato que já tinha sido avistado em 2020 na referida zona arborizada e que, entretanto, tinha nidificado no local.

De acordo com a Câmara Municipal de Amarante, “a coruja-do-mato é uma ave de rapina noturna de médio porte que pode chegar a atingir quase um metro de envergadura. Trata-se de uma espécie de hábitos monogâmicos e muito territoriais. O processo de nidificação das corujas-do-mato é bastante demorado, cerca de seis meses desde o momento da postura dos ovos até à emancipação dos juvenis”.

Ainda segundo a autarquia, “após uma observação regular da área conseguiu-se avistar a primeira cria a abandonar o ninho. As duas crias têm quase o tamanho de uma coruja adulta e em breve terão de estabelecer o seu próprio território. Como as corujas são uma espécie sedentária, não fazem grandes movimentos migratórios, é de esperar que as crias se estabeleçam a poucos quilómetros do local onde nasceram. Por questões de salvaguarda do habitat desta família de corujas-do-mato não divulgamos a zona que escolheram para viver, em Amarante”.

A câmara municipal acrescenta ainda que o facto desta espécie se ter estabelecido no centro da cidade, há pelo menos dois anos, “é bastante positivo”, porque “quanto maior é o conhecimento que estas aves têm do território que ocupam, mais efetivas se tornam enquanto predadoras, o que grande uma maior esperança de vida para elas e para as crias”. É também importante "manter a qualidade do território” para que “estas corujas continuem a escolher o centro da cidade para nidificar”.

“Esta espécie depende da existência de zonas arborizadas com uma densidade e extensão considerável, e também da existência de árvores antigas que são mais propensas a ter cavidades que depois serão usadas por esta espécie para nidificar. Como tal, uma gestão das zonas arborizadas que tenha em conta o respeito pela biodiversidade, deverá manter um equilíbrio saudável entre árvores novas e antigas, e evitar a fragmentação dos bosques existentes, nomeadamente evitando a criação de zonas arborizadas isoladas”, concluiu a autarquia.