Tâmega e Sousa

Penafiel: Enfermeiros protestaram pelo fim da "precariedade na profissão"

Ana Regina Ramos

04-05-2021

Concentração decorreu esta manhã em frente ao CHTS.

Foto: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

"Mais de 50" enfermeiros concentraram-se, na manhã desta terça-feira, 4 de maio, em frente ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, em Penafiel, para exigir o fim da "precariedade na profissão".

Esta concentração surge no âmbito da "precariedade" de milhares de enfermeiros, a nível nacional, que se encontram com um vínculo precário ao abrigo do COVID-19, explica Fátima Monteiro, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, ao Jornal A VERDADE.

No país são 2021, na região do Porto cerca de 850 e, na região do Tâmega e Sousa, 104 enfermeiros que possuem "vínculos de quatro mais quatro que foram contratados ao abrigo do COVID". Alguns destes 104 enfermeiros "começaram a receber uma carta de 'despedimento', de cessação do seu contrato, quando eles são mais do que necessários na instituição".

Foto: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

"O hospital continua a ter necessidade deles até porque está em alargamento o serviço de urgência, vão abrir mais dois serviços, nomeadamente, a hemodiálise de agudos e um serviço de especialidades médicas, foi aumentada a capacidade da unidade de cuidados intensivos e isto não se faz sem enfermeiros", refere, lembrando que a zona de abrangência do CHTS "é de uma dimensão incrível, são mais de 500 mil habitantes".

"A necessidade é tal que, no ano anterior à pandemia, em 2019 e 2018, o volume de trabalho pago aos enfermeiros era tremendo, eram cerca de 170 mil horas que se pagava de trabalho extraordinário. Isto só reflete que, para recorrer a trabalho extraordinário é porque havia falta de enfermeiros e o que se passa no CHTS, passa-se noutros hospitais", continua.

Fátima Monteiro afirma que o Conselho de Administração do CHTS "já justificou a necessidade destes enfermeiros no seu plano de atividades e do orçamento, que não foi aprovado pela tutela e que contempla lá os 104 lugares". "A pandemia só veio dar mais visibilidade à carência e muitas instituições aproveitaram a facilidade de contratar ao abrigo do COVID para dar resposta às necessidades que existiam, que já são estruturais", garante.

Foto: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

Contactado pelo Jornal A VERDADE, o CHTS refere que o Conselho de Administração "está a acompanhar a situação e a zelar pelo cumprimento dos preceitos legais aplicáveis". "Atualmente, o CHTS tem apenas quatro enfermeiros com situação para resolver no fim deste mês. O processo está a ser acompanhado por forma a encontrarem-se soluções que resolvam as necessidades assistenciais do Centro Hospitalar", aponta.

"Quando se despedem enfermeiros e, ao mesmo tempo, estamos com escassez de enfermeiros noutras áreas há alguma coisa que não bate certo, é esta exigência que continuamos a fazer. Não admitimos que a solução seja manter estes colegas com vínculo precário", acrescenta Fátima Monteiro.

Exigimos: os enfermeiros são necessários, não estão a mais.

Foto: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

"Foi uma ótima iniciativa, teve a visibilidade e a participação muito boa e que, conjuntamente, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, como tem feito ao longo do tempo, não irá baixar os braços e vai continuar a exigir que haja opções políticas, que, de uma vez por todas, acabem com a precariedade na profissão, até porque não há Serviço Nacional de Saúde que funcione bem e que dê a resposta adequada aos utentes sem profissionais, neste caso, enfermeiros. Há mais Serviço Nacional de Saúde para além da pandemia e, portanto, eles continuam a ser necessários", conclui, mencionando que estiveram presentes "mais de 50 enfermeiros" na concentração.

No dia 7 de maio, está prevista uma reunião entre o sindicato e o Ministério da Saúde.

Contactado pelo Jornal A VERDADE, ainda não foi possível obter uma resposta por parte do Ministério da Saúde até à publicação deste artigo.