Sociedade

Crescimento em Penafiel, Paredes e Paços de Ferreira "causa alguma preocupação"

Ana Regina Ramos

27-04-2021

Informação foi anunciada durante a reunião desta manhã com os especialistas do Infarmed.

De acordo com a reunião desta terça-feira com os especialistas do Infarmed, Penafiel, Paredes e Paços de Ferreira são os concelhos que, atualmente, causam "alguma preocupação".

"Na última semana, pela densidade populacional e pelo número de habitantes, o crescimento na zona de Paredes, Paços e Penafiel causa alguma preocupação - situação a ser, obviamente, monitorizada", referiu André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Há ainda a destacar a existência de clusters espaciais "com riscos muito elevados e alguns com consistência temporal", que permitem identificar áreas mais elevadas ou mais baixas num determinado período de tempo, "depois interessa considerar a sua grandeza e continuidade temporal", explicou Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública.

Sobre esta última semana, de 19 a 24 de abril, há concelhos da região do Tâmega e Sousa que se inserem nestes clusters, como Paredes, Penafiel, Paços de Ferreira, Celorico de Basto e Resende.

Desde a última reunião até esta semana, o país passou de 22 concelhos com uma incidência de mais de 120 casos por 100 mil habitantes para 37 concelhos, "correspondendo a 1,1 milhões de habitantes e 11,3% da população". Apesar deste crescimento, André Peralta Santos indica que aquilo que se observa é que "nos grandes centros urbanos há uma ligeira tendência decrescente, o que estabiliza a tendência nacional", acrescenta.

Em conclusão, afirma que existe uma "tendência estável" do número de novos casos (incidência), com um aumento da incidência na faixa etária dos 10 aos 19 anos, um aumento da testagem dos 15 aos 21 anos e a manutenção da tendência de crescimento na faixa etária dos mais de 80 anos. Há ainda uma manutenção da tendência de decrescimento das hospitalizações e da mortalidade e um aumento do número de testes (especialmente nos concelhos com maior incidência) e uma diminuição da positividade (abaixo dos 4%).

No final da reunião, aos jornalistas, a ministra da Saúde, Marta Temido, concluiu que a situação epidemiológica no país é "favorável" e apontou como resultados positivos a "diminuição da letalidade" - que é um quinto da registada no ano passado -, redução do número de internamentos em enfermaria e em UCI, o risco de transmissão efetivo abaixo dos 120 casos e o rt que se situa no 1.

Destacou ainda uma "tendência crescente em algumas áreas da região norte, com risco de transmissão efetivo ligeiramente acima de um, embora com uma incidência de casos por 100 mil habitantes a 14 dias bastante abaixo dos 120 casos".

"O país está a controlar a pandemia. É necessário continuar a compensar o aumento de contactos e da transmissibilidade, por ventura também de novas variantes", sublinha, recordando as medidas preventivas de carácter individual que devem ser mantidas.

Sobre a vacinação, afirmou que com a continuação da "aceleração" deste processo, a expectativa é que, em meados de maio, estejam vacinadas "todas as pessoas com mais de 60 anos", o que permitirá ganhar tempo à progressão da pandemia.