Saúde e Bem Estar

Santa Saúde: Isquemia Aguda

Santa Casa da Misericórdia Marco de Canaveses

21-05-2021

Artigo de opinião de José Fernando Ramos, médico especialista de Cirurgia Vascular, assistente hospitalar graduado no Centro Hospitalar São João e na Santa Casa da Misericórdia de Marco de Canaveses.

Os problemas circulatórios dos membros podem estar relacionados com as veias (doença venosa) ou com as artérias (doença arterial periférica). Embora sejam ambos importantes, a doença nas artérias é normalmente de maior magnitude em termos de gravidade.

A oclusão das artérias dos membros pode ocorrer de forma súbita (sem doença prévia conhecida), ou pode ocorrer com uma instalação mais gradual.

A isquemia aguda consiste no agravamento súbito da circulação de um ou mais membros por oclusão de uma artéria importante para a irrigação desse membro.

Os fatores de risco para a doença arterial crónica são bem conhecidos: o tabaco, colesterol elevado, a diabetes e a insuficiência renal. No entanto, nas situações de isquemia aguda, um outro fator, tem também uma grande relevância- a arritmia. A arritmia é uma situação na qual o coração bate de uma forma irregular e, por isso, por vezes pode ocorrer a formação de coágulos dentro do coração que depois se deslocam para a circulação arterial, produzindo a oclusão destes vasos. Este fenómeno provoca uma súbita redução da circulação do membro afetado que normalmente se traduz por dor, arrefecimento, palidez e falta de força ou mobilidade do pé ou mão (conforme o membro ou membros atingidos). Esta situação é muito frequentemente grave e exige tratamento que não deve ser atrasado pelo risco de perda de membro.

Felizmente, é comum os pacientes com arritmias estarem hipocoagulados (a tomar medicação que torna o sangue mais fluído) e assim, estes episódios são menos frequentes. A evolução farmacológica em relação com a hipocoagulacão, com novos fármacos que não exigem controlo e que são tomados de forma regular (na medicação mais antiga, a dose poderia ser diferente conforme o dia), não só diminuiu o número de incidentes com a hipocoagulacão propriamente dita (risco de hemorragia se demasiado hipocoagulado) como a tornou mais prática e com melhor adesão.

Por outro lado, apesar da gravidade destas situações, a variedade e a evolução das técnicas diagnósticas, cirúrgicas e de intervenção com uso de Rx (angioplastias) permite alargar o leque de soluções e com mais frequência evitar desfechos mais favoráveis, num número progressivamente maior de casos.

Artigo de opinião de José Fernando Ramos, médico especialista de Cirurgia Vascular, assistente hospitalar graduado no Centro Hospitalar São João e na Santa Casa da Misericórdia de Marco de Canaveses.