Saúde e Bem Estar

Santa Saúde: A Disfunção Eréctil - Visão de um Endocrinologista

A Verdade

14-05-2021

Artigo de opinião de Jorge Dores, especialista em Endocrinologia e Diabetes no Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses.

Foto: D.R.

O que é?

A disfunção eréctil (DE), por vezes conhecida como “impotência” é definida como a incapacidade repetida de conseguir ou manter uma ereção suficiente para manter um desempenho sexual satisfatório. O termo “impotência” é por vezes erradamente utilizado para se referir a outros problemas relacionados com a relação sexual ou com a reprodução, como a diminuição do desejo sexual (líbido), problemas relacionados com a ejaculação, com o orgasmo ou com a fertilidade.

A amplitude da definição da DE (desde a incapacidade de conseguir uma ereção até à ereção por um tempo demasiado curto), aliada à reserva dos doentes em se queixarem espontaneamente deste sintoma, tornam a estimativa da sua prevalência muito difícil. A DE afeta cerca de 150 milhões de homens em todo o mundo (Fonte: Decision Resources, 1999) e cerca de 500 mil homens em Portugal (Fonte: Sociedade Portuguesa de Andrologia, 2004)

Apesar da incidência aumentar com a idade (5% aos 40 anos, 15-25% aos 65 anos), a DE não é um processo inevitável do envelhecimento, justificando-se a consulta do médico quando surge este problema.

Causas possíveis

Foto: D.R.

A ereção é o culminar de uma sequência complexa de fatores sensoriais, hormonais, nervosos e vasculares. Assim, qualquer processo que perturbe a integridade de um destes componentes pode causar DE como no caso da diabetes mellitus, insuficiência renal ou hepática, esclerose múltipla, doenças vasculares e neurológicas.

Situações que cursam com baixos níveis de testosterona (hormona masculina) ou níveis hormonais anormais de hormona tiroideia ou prolactina, podem ser responsáveis pela DE.

Cirurgias pélvicas radicais efetuadas à próstata ou à bexiga, geralmente por cancro, podem lesar os nervos ou as artérias próximas do pénis, causando DE.

Existem também estilos de vida que podem contribuir para a DE, como o consumo de tabaco, álcool ou drogas de abuso. A obesidade e o sedentarismo também podem contribuir, por vários mecanismos, para o aparecimento ou agravamento deste problema.

Uma das causas mais frequentes de DE está relacionada com os efeitos laterais de certos medicamentos. São exemplos alguns tipos de medicamentos utilizados para baixar a tensão arterial ou o colesterol, combater alergias (anti-histamínicos), os tranquilizantes, certos anti-depressivos e inibidores do apetite.

Cerca de 10-20% dos casos de DE são devidos a fatores psicológicos como o stress, ansiedade, sensação de culpa, depressão, baixa auto-estima e medo de falhar.

Jorge Dores, especialista em Endocrinologia e Diabetes no Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Marco de Canaveses