Saúde e Bem Estar

Os AVCs também surgem em Pediatria

31-03-2021

Saiba mais ao ler o artigo de Carla Vieira, fisioterapeuta em Pediatria no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

Foto: ACDS

Acidente Vascular Cerebral, é o significado destas siglas.

O nosso cérebro precisa de ser irrigado continuamente para podermos funcionar como um todo. Existem vasos sanguíneos-artérias e veias-responsáveis pela” alimentação “cerebral.

A dado momento, por variadas razões, o cérebro deixa de ser irrigado. Um acidente na sua vascularização, quer seja pelo surgimento de uma rotura numa artéria ou seu entupimento, impede a normal distribuição sanguínea. Claro que a zona cerebral atingida, deixará de exercer as suas funções, e irá verificar-se a nível motor alteração do movimento, da fala, da deglutição, da compreensão e do controle da postura. Quero dizer com isto que as sequelas de um AVC, podem ser graves ou menos graves, consoante a área cerebral atingida e sua extensão.

Surpreendentemente para algumas pessoas, os AVCs também surgem em Pediatria.

Pois é verdade. E não escolhe idade, desde a fase intrauterina, depois do nascimento, e até durante a adolescência. Muitos bebés, ainda dentro do útero materno, e que nascem de termo (com 40 semanas), sofrem uma interrupção da irrigação cerebral. As causas podem ser várias e devem ser estudadas. Os bebés apressados, que decidem vir-nos visitar antes do tempo, (bebés prematuros, com menos de 37 semanas de gestação), podem também ter estas alterações, pela fragilidade dos vasos sanguíneos As malformações dos vasos sanguíneos cerebrais, atingem maioritariamente os adolescentes.

A alteração motora (hemiplegia, no caso de paralisia total dos movimentos, hemiparesia, quando se mantêm alguns movimentos) é unilateral, ou seja, atinge metade do corpo, lado direito ou lado esquerdo (membro superior e inferior, com ou sem afeção da face e fala).

A abordagem do fisioterapeuta às sequelas de um AVC, num adulto e numa criança, são diferentes. Daí, existirem fisioterapeutas especializados em Pediatria e fisioterapeutas especializados em adultos, na área que designamos como neurológica.

No adulto, o movimento alterado, Ex: agarrar uma caneca, já foi previamente normal, automático. Ninguém pensa como se executa. Quando se tem sede, pega-se na caneca com água e leva-se á boca para beber. O cérebro adulto, guarda memória dos movimentos que eram feitos automaticamente, sem pensar.

No bebé/criança, este não sabe como o fazer, nunca o experienciou, é novidade. Daí o grande desafio. Como ensinar a beber, a andar, a comer, jogar á bola e outras atividades, de forma funcional e mas parecida com o normal. A intervenção precoce e atempada, mesmo sendo em prematuros, minimizará as sequelas,

Exige muito trabalho e empenho da equipe interveniente, os pais, a fisioterapeuta e por vezes a terapeuta ocupacional e a terapeuta da fala. Os resultados serão visíveis ao longo do desenvolvimento da criança ou bebé.

Carla Vieira, fisioterapeuta em Pediatria no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa