Numa consulta das DOENÇAS DA MAMA este é o sintoma mais frequente pelo qual as mulheres recorrem ao médico e atinge vários grupos etários, desde jovens adolescentes à pós-menopausa.

Esta dor, num órgão tão feminino e delicado, desencadeia uma ansiedade importante que pode interferir na qualidade da vida e sobretudo pelo receio imediato de ser um sintoma de doença oncológica mais grave da mulher – o cancro da mama.

Este sintoma designa-se por Mastalgia ou Mastodinia e pode apresentar-se com intensidades muito variáveis, constantes ou irregulares afetando uma ou as duas glândulas mamárias.

A dor cíclica mensal está, a maior parte das vezes, relacionada com o período menstrual nas mulheres menstruadas e tem como causa principal uma origem hormonal, mas outras vezes também se identificam dores não cíclicas  que têm outras causas a investigar.

Numa Consulta da Mama deve sempre incluir uma investigação exaustiva e cuidadosa com um questionário prévio completo da história clinica, estilos de vida, evolução ginecológica, despiste de gravidez, o uso de anticoncepcionais, de hormonoterapia de compensação hormonal na menopausa, doenças associadas desde a infância, história de familiares com doenças oncológicas de origem genética incluindo cancro da mama ou do ovário, e ser completado por um rigoroso exame clínico da mulher.

Finalmente devem ser bem ponderados quais os exames auxiliares de diagnóstico adequados a cada mulher, e sobretudo a idade, que incluem sempre uma Ecografia associada ou não a Mamografia, de preferência Digital e eventualmente um exame muito específico e selecionado – Ressonância Magnética da Mama com contraste endovenoso.

Estes exames são fundamentais para excluir qualquer pequeno cancro da mama em fase muito inicial que tem cura superior a mais de 95%.: o Diagnóstico Precoce.

Felizmente as causas de mastodinia raramente são responsáveis por cancro mama, apenas em fases mais avançadas e, na sua maioria, as causas têm origem benigna, mas contudo exigem um diagnóstico cuidadoso. Sabemos que o Cancro da Mama é traiçoeiro e nem sempre se manifesta claramente.

Necessita de um alto índice de suspeição do médico e simultaneamente avaliar as mulheres que podem ter mais risco, identificando os fatores de risco mais importantes.   

Não esquecer que estas mulheres devem ser bem esclarecidas quanto às causas das suas dores e, por vezes, podem necessitar de apoio psicológico para reduzir a ansiedade.

José Fleming de Oliveira
Especialista do Hospital Santa Isabel da Santa Casa da Misericórdia – Marco de Canaveses;
Ex-prof. Assoc. Conv. de Cirurgia da Faculdade de Medicina Universidade do Porto;
Ex-especialista coordenador do Grupo da Mama do IPO Porto;
Ex-diretor do Departamento de Cirurgia do Hospital Pedro Hispano.