Setembro traz consigo o início de um novo ano escolar e um conjunto de emoções não só para as crianças e/ou adolescentes, como também para os pais. À conhecida lista de material escolar, adiciona-se a importância de preparar emocionalmente os alunos para o seu regresso à escola! Retomar ao contexto escolar é, sem dúvida, um período da vida da criança e/ou adolescente que pode potenciar variados sentimentos que diferem entre si. Por mais entusiasmante que este regresso possa ser, é também marcado por receios, dúvidas e nervosismo. É comum observar emoções positivas por voltar a estar com amigos, mas há também quem não tenha o mesmo entusiamo. Nestes casos, é fundamental ajudar a criança e/ou adolescente a enfrentar os motivos que despoletaram o sofrimento emocional, exigindo medidas específicas de suporte, que promovam uma (re)integração que assegure o bem-estar, a saúde psicológica e sobretudo a felicidade.

Assim, é fundamental perceber que a escola é potenciadora de conhecimento, sendo uma mais-valia para as aprendizagens, mas também para o autoconceito, a autoestima, as interações sociais e o desenvolvimento emocional. Mais do que ter sucesso escolar, é essencial dotar as crianças e/ou adolescentes de ferramentas emocionais para gerir a pressão, a competição e consequentemente a frustração. Claro está que, é basilar incutir práticas de estudo, mas também é importante dar-lhes tempo para serem crianças e adolescentes felizes e emocionalmente saudáveis.

Afinal, regressar à escola é sempre uma altura de ansiedade para pais e alunos, sendo inevitável o reajuste das rotinas para entrar no ritmo escolar. Estas rotinas devem obedecer a estratégias que assegurem um bom desempenho ao longo do ano letivo, desde uma alimentação cuidada e equilibrada, hábitos de sono corretos, passando pela preparação da mochila, com o peso adequado. Muitas outras estratégias poderiam ser fornecidas, mas salienta-se a importância de criar o hábito do diálogo: através de conversas sobre os principais receios, dúvidas e expectativas, ajudando a perceber o que a criança e/ou adolescente sente; e o controlo das tecnologias, criando horários para o uso de gadgets.

Por fim, é importante incutir o respeito pelo outro, a noção de partilha e, fundamentalmente, a empatia em relação à diferença/diversidade de género, de etnia e das necessidades especiais.

Lília Pinto

Psicóloga na SCMMC

Responsável pelo Serviço de

Psicologia da SCMMC