A atual tendência de envelhecimento da população contribui para o aumento das perturbações neurocognitivas, comumente conhecidas por demências. Portugal é exemplo disso, sendo o 4º país da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico – com mais casos, por cada cem mil habitantes. Estas perturbações caraterizam-se pela deterioração de várias funções da cognição como a memória, a atenção, a linguagem e o funcionamento executivo (que envolve, por exemplo, o planeamento e a tomada de decisões). Para impedir (ou retardar) este progressivo declínio das funções cognitivas, algumas intervenções não farmacológicas revelam-se estratégicas e fundamentais, nomeadamente a intervenção musical e a estimulação cognitiva (ex. Projeto “Musicalidade”). Estas intervenções, adequadas às capacidades de cada um, permitem manter ou melhorar o funcionamento cognitivo e os estados emocionais.

Assim, a música na terceira idade, aliada à estimulação cognitiva, traz benefícios comprovados, pois permite ao idoso manter-se ativo, impedindo o isolamento social, na medida em que este interage com o outro. Estas práticas podem modificar o estado de espírito das pessoas, funcionando como um incentivo ao bem-estar e como suporte das emoções. São uma ferramenta importante e necessária, pois ajudam a manter a linguagem, a comunicação, a expressão e a organização da mente. A atividade musical com idosos impulsiona o prazer de cantar, criar e recriar temas musicais, recordar canções, que fizeram e fazem parte da sua cultura e vida, e também desenvolver o sentimento de confiança e amor-próprio. Tem a capacidade de transportar o idoso a estados psíquicos de boas recordações, que podem ser despoletadas através da audição musical ativa.

As evidências apontam para os benefícios da combinação da música e da estimulação cognitiva, a fim de produzir resultados de bem-estar para populações mais velhas, com e sem doenças cognitivas. A literatura tem demonstrado os efeitos positivos desta combinação e das intervenções sobre o bem-estar mental, especialmente na gestão da ansiedade e da depressão. Vários são os sentimentos e emoções que podem ser desencadeados nas pessoas que as praticam. A persecução destas atividades promove as pessoas a serem socialmente ativas, autónomas e funcionais, envolvendo-se mais nas atividades do quotidiano, contrariando a apatia e a desorientação que as perturbações neurocognitivas tendem a causar.

Autores: Equipa do Projeto “Musicalidade”
– Lília Pinto: Gestora do Projeto
– Inês Couto: Professora de Música
– Gonçalo Moreira: Músico
– Sara Moreira: Psicóloga Júnior