Artigo de opinião de Luís de Lencastre, Cirurgião Geral no Instituto Português de Oncologia do Porto e no Hospital Santa Isabel do Marco de Canaveses.

O cancro colorrectal (CCR) é uma neoplasia que afeta o cólon e o reto. Em 2020 foram diagnosticados em Portugal cerca de 10.000 novos casos e morreram cerca de 4.300 pessoas com esta doença. Estima-se que mais de trinta mil portugueses tenham CCR nas suas diversas fases de estadiamento. Esta é a neoplasia mais frequente em Portugal e a segunda mais letal.

Existem vários tratamentos para esta neoplasia. Estes são mais eficazes quanto mais precoce for a neoplasia. Neoplasias mais precoces resultam em tratamentos e curas com mais sucesso, que são menos agressivos que doenças em fases mais avançadas.

Na fase mais precoce, são identificados pólipos em colonoscopia que podem ser retirados antes que se tornem malignos e evitar tratamentos mais complexos.

Os testes de rastreio mais importantes são a pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) e a colonoscopia.

Assim, o Ministério da Saúde desenvolveu o Programa de Rastreio do Cancro Colorrectal. Neste programa as pessoas assintomáticas e sem história de cancro familiar ou doenças do foro intestinal, entre os 50 e os 74 anos, são estudadas. Anualmente ou a cada 2 anos é realizado de forma gratuita a PSOF que é coordenada pela Direcção Geral da Saúde da área da residência do indivíduo. Esta envia para o domicílio um “kit” para a realização do teste. Caso o teste seja positivo, o doente recorre ao seu médico assistente para realizar uma colonoscopia total e iniciar o tratamento. Caso o indivíduo não seja recrutado para o rastreio, deve recorrer ao seu médico assistente para realizar o rastreio.

Uma vez confirmada a presença de CCR o doente realiza uma Tomografia Computorizada (TAC) ao tórax, abdómen e pelve para avaliar a possibilidade de o tumor estar disseminado ou metastizado.

Uma vez identificada e estudada a neoplasia o médico assistente orienta o doente para uma consulta de Cirurgia Geral a fim de iniciar o tratamento.

No Hospital de Santa Isabel no Marco de Canaveses, o corpo clínico dispõe de clínicos competentes no diagnóstico e tratamento do CCR. A possibilidade de realização de colonoscopia total com sedação permite estudar o colon e reto diagnosticando neoplasias e nos casos mais iniciais realizar polipectomias evitando situações mais complexas.

Independentemente do tipo de exame de rastreio ou do local onde estes sejam realizados o importante é o indivíduo ser estudado e tratado atempadamente, obtendo assim todos os benefícios de um tratamento eficaz e precoce.