O conflito entre a Ucrânia e a Rússia está a provocar um aumento nos preços da energia e dos alimentos um pouco por todo o mundo. A DECO emitiu um conjunto de conselhos para saber como poupar e sobreviver às subidas de preços que estão a surgir.

Poupar nos combustíveis

  • Adira ao autovoucher. Esta é uma das soluções desenhadas pelo Governo para ajudar os consumidores a fazer face aos aumentos dos preços da gasolina e do gasóleo. Em vigor desde novembro de 2021, a medida permite que todos os contribuintes que paguem com cartão bancário numa bomba de combustível aderente recebam um reembolso, mesmo que não comprem combustível. Os cinco euros de benefício inicialmente previstos passaram a 20 euros este mês.
  • Adote uma condução mais eficiente. Além de contribuir para diminuir as emissões de gases com efeito de estufa, uma condução otimizada ajuda-o a poupar combustível. Travar muitas vezes e bruscamente, acelerar ou conduzir com mudanças mais baixas podem fazê-lo gastar mais.
  • Desligue o motor nas paragens sempre que preveja ficar parado por períodos superiores a um minuto. Deixar o carro em ponto morto com o motor a trabalhar consome meio litro de combustível por hora.
  • Preste atenção à pressão dos pneus. Se for excessiva, a aderência ao piso diminui. Se for demasiado baixa, o consumo aumenta na razão de 1% por cada 0,1 bars abaixo da pressão recomendada.
  • Limite o uso do ar condicionado porque este também faz aumentar o consumo de combustível.
  • Reduza o peso desnecessário. Retire da mala do carro os objetos de que não precisa, mas que aumentam o peso do veículo. Por cada 100 quilos de peso a mais, gastará mais 5% de combustível.
  • Use o carro apenas para deslocações indispensáveis, optando pelos transportes públicos para deslocações mais frequentes. Pode, ainda, optar por partilhar o carro com amigos ou colegas de trabalho. Algumas aplicações permitem inclusive encontrar pessoas que pretendem viajar para o mesmo destino e partilhar despesas. Lembre-se também que nas grandes cidades há cada vez mais opções de mobilidade, nomeadamente carros, scooters, bicicletas e trotinetas partilhadas.
  • Descubra e monitorize o consumo real de combustível do seu carro para obter maiores níveis de poupança.
  • Usufrua dos descontos oferecidos pelas superfícies comerciais e parcerias.

Reduzir a conta da eletricidade

  • Olhando para a sua fatura consegue identificar se o seu consumo em vazio representa metade do valor total ou próximo? Em caso afirmativo a tarifa bi-horária pode compensar.
  • Se já aderiu ao mercado liberalizado, saiba que, neste momento, a tarifa regulada é a opção mais barata para a maioria dos consumidores. Descubra no nosso simulador qual o fornecedor de eletricidade com a tarifa mais adequada ao seu perfil de consumo.
  • Não deixe os equipamentos elétricos em standby. Embora pareçam desligados, estão a consumir energia. Ao desligá-los na tomada, poderá poupar cerca de 10% na fatura energética. Se desligar, por exemplo, as boxes da TV, em vez de as deixar em standby, poderá poupar cerca de 14 euros por ano.
  • Se precisa de comprar um novo eletrodoméstico, opte por um que seja eficiente. A etiqueta energética ajuda a identificar a melhor opção.
  • Sempre que sair de uma divisão, apague as luzes.
  • A temperatura adequada ronda os 20ºC no inverno e os 25ºC no verão. A redução de apenas um grau no aquecimento, no inverno, pode valer-lhe uma poupança de energia até 8 por cento. No verão, evite a entrada de calor em casa, fechando as janelas e as persianas. Racionalize o uso do ar condicionado, evitando colocá-lo a uma temperatura inferior a 24ºC.
  • Evite abrir o frigorífico e a arca congeladora se não for mesmo necessário. Confirme também se estes equipamentos têm a temperatura ajustada. Podem estar a consumir demasiada energia sem que se aperceba.
  • Se precisa de usar o forno, desligue-o antes de o cozinhado estar pronto. Pode aproveitar o calor residual para o terminar. 

Diminuir o consumo de gás

  • Procure o fornecedor perto de si com o preço mais baixo. A nossa plataforma Poupe na Botija é gratuita e ajuda-o a fazer essa pesquisa.
  • Esta é talvez a medida mais óbvia, mas também a mais eficaz: reduza os consumos. Baixe a temperatura ou o caudal do esquentador para evitar gastar mais gás do que necessário.
  • Ao cozinhar, desligue o lume antes de o cozinhado estar pronto. Conseguirá terminar o processo com o calor residual.
  • Se está a considerar trocar algum equipamento em casa, opte por versões mais eficientes. As placas de indução e as bombas de calor são uma boa alternativa aos aparelhos a gás.

Encurtar a fatura da água

  • Usar a água com conta, peso e medida é, antes de tudo, uma forma de garantir a sustentabilidade do planeta. Para proteger as gerações futuras, é importante que procure consumir de forma mais sustentável.
  • Instale redutores de caudal nas torneiras. Além de poupar água, também poupa no gás se for água quente. Aquecer um menor volume de água implica uma redução quase igual na energia necessária para a aquecer.
  • Considere a instalação de cabeças de duche/chuveiro com redução de caudal, um investimento reduzido para uma poupança com significado na água e na energia consumidas.
  • Opte por autoclismos com dupla descarga.
  • Se lava a loiça à mão, não deixe a água a correr. Deve optar por encher o lava-loiças e ir colocando lá dentro a loiça já lavada com detergente para depois a enxaguar.
  • Tem máquina de lavar loiça? Faça lavagens apenas com carga completa e prefira os programas eco que, em comparação com os programas principais destas máquinas, permitem poupanças de cerca de 25% em eletricidade e de 20% em água.
  • Recolha a primeira água do duche até chegar a água quente. Esta água pode ser utilizada para uma descarga de autoclismo, para encher um balde para lavar o chão ou até para regar as plantas.
  • Deve, ainda, fechar a torneira enquanto lava os dentes e optar por duches rápidos em vez de banhos de imersão.

Alimentação vai ficar mais cara

O impacto da COVID-19 na cadeia de abastecimento, o aumento do custo das matérias-primas e a subida dos preços da energia, associada à seca que o país atravessa, têm contribuído para o incremento do custo dos alimentos. O conflito que se vive no leste da Europa deverá criar também instabilidade.

Portugal é, historicamente, “um país muito dependente dos mercados externos, importando cerca de 80% dos cereais consumidos internamente”. A Ucrânia tem sido, até à data, um dos maiores fornecedores de cereais para alimentação animal para Portugal e, a viver uma guerra, poderá deixar de ser uma opção para abastecer o país.

“Esta incerteza, associada à escalada de preços dos combustíveis terá, certamente, reflexos na distribuição de bens alimentares, na produção agrícola e, consequentemente, na despesa das famílias portuguesas com alimentação. No entanto, para já, ainda não é possível perceber qual será o verdadeiro impacto na conta do supermercado”, refere a DECO, indicando que, ainda assim, algumas empresas de distribuição e associações representantes do setor agroalimentar em Portugal já antecipam aumentos e estão a impor limites à compra de produtos como o óleo de girassol, para evitar o açambarcamento por parte dos consumidores. Contudo, o Governo assegura que o abastecimento de alimentos não está em causa.

De acordo com a lei em vigor, “em caso de açambarcamento por parte dos consumidores, as superfícies comerciais podem impor restrições de venda a determinados produtos para, assim, garantir uma justa e equitativa repartição por todos os clientes”. Em circunstâncias excecionais e se, de facto, se verificar escassez de alimentos no país, essas restrições “poderão ser impostas pelo poder central, com regras iguais para todo o território nacional e para todas as superfícies comerciais”.

Reduzir a conta do supermercado

  • Fazer uma lista de compras é a melhor forma de evitar gastos desnecessários. Pense nas refeições que vai preparar durante a semana e resista às compras por impulso. Traga apenas o que realmente necessita. A aquisição de bens essenciais em quantidades superiores às necessidades de abastecimento (açambarcamento do adquirente) é um crime punível com pena de prisão até seis meses ou multa de 50 a 100 dias.
  • No supermercado, compare os preços por unidade (quilo, litro ou unidade). Olhe além dos produtos que estão ao nível dos olhos, onde frequentemente são colocados os produtos que os retalhistas têm mais interesse em vender.
  • Consulte os folhetos para saber quais as promoções da semana.
  • Pesquise os supermercados mais baratos para comparar o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos.
  • O leite e os cereais são produtos que frequentemente se encontram em promoção. Veja os prazos de validade e, se forem longos, pode trazer mais de uma unidade para aproveitar a promoção e guardar. Evite, contudo, comprar mais do que necessita.
  • No que à alimentação diz respeito, as marcas próprias permitem alguma poupança, em alguns casos até 30%, sem comprometer a qualidade.
  • Olhe para o que tem na despensa e verifique os prazos de validade para evitar desperdício alimentar. Ao arrumar a despensa, coloque os prazos mais curtos à frente. Deve fazer o mesmo ao arrumar o frigorífico.
  • O comércio tradicional é uma boa opção para comprar frescos, já que é possível encontrar produtos mais baratos. Além disso, têm uma boa oferta de produtos nacionais e, regra geral, ficam mais perto de casa, o que pode ser uma ajuda para reduzir também a despesa com combustíveis. 

Reveja as despesas mensais fixas

Opte por um tarifário de telecomunicações à sua medida

  • Para quem dispensa os serviços de televisão tradicionais, há, por exemplo, soluções só para internet fixa, mas que custam quase tanto como um pacote básico de televisão, internet e telefone fixo.
  • Desconfie de promoções que lhe pareçam demasiado generosas e compare ofertas, combinando tarifários de diferentes operadores.
  • Utilize aplicações no smartphone como o WhatsApp, o Telegram ou outras para gerir as suas comunicações de forma gratuita sempre que tiver acesso a uma rede wi-fi ou dados móveis cujo custo já está incluído na mensalidade do telemóvel. Ative o controlo de dados móveis no smartphone para evitar ultrapassar o limite de dados incluído e prevenir a aplicação de custos adicionais indesejados.

Avalie os custos com seguros e créditos

  • Compare as ofertas do mercado, pois pode permitir obter uma poupança significativa, tendo, no entanto, em conta que o custo do seguro automóvel depende do veículo e do histórico de sinistralidade.
  • Analise os gastos mensais com o crédito à habitação. A transferência de um crédito à habitação do banco atual para outro banco é outra das decisões que lhe pode valer alguns euros. Outra solução é a renegociação do crédito à habitação. Não é por ter celebrado o contrato mediante determinadas condições que estas têm de ficar imutáveis ao longo de toda a vigência do contrato.
  • Use o cartão de crédito apenas para imprevistos. Em regra, a sua utilização está sujeita a pesadas taxas de juro que o podem colocar em incumprimento.
    Se contratou o seu cartão de crédito há mais de dez anos é possível que esteja a pagar uma taxa de juro na casa dos 30%, muito acima da taxa máxima legal admitida pelo Banco de Portugal para os cartões mais recentes. Em 2009, foi aprovado um decreto-lei que determina as taxas anuais efetivas globais (TAEG) máximas que podem ser cobradas para cada tipo de crédito ao consumo, incluindo cartões de crédito. As taxas que ultrapassam esses limites são consideradas excessivas, de acordo com a lei. Mas esta limitação é válida apenas para os contratos celebrados a seguir à entrada em vigor do decreto-lei, ou seja, a partir de janeiro de 2010. As instituições de crédito não são obrigadas a rever as condições dos contratos anteriores a esta data, mas, se estiver nesta situação, nada o impede de tentar.

Seja disciplinado com as suas finanças

  • Valide todas as suas faturas. Tudo o que fique pendente no e-fatura não é considerado para efeitos de dedução e pode perder até 250 euros. Se validar as faturas ao longo de todo o ano é menos provável que alguma fique esquecida.
  • Pode também pedir uma nova avaliação da sua casa. Muitos proprietários pagam imposto municipal sobre imóveis (IMI) a mais.
  • Outra das opções, se tiver algum dinheiro de parte, é o investimento num PPR. Além da poupança para a sua reforma, conseguirá obter benefícios fiscais. Com 2000 euros, por exemplo, pode obter um retorno de 400 euros no IRS.