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Penafiel
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Rui Vieira, natural de Penafiel, relata dia de tensão após ataques e alerta nacional em Doha

Professor português no Qatar ouviu explosões e recebeu alertas de emergência. Aulas passaram para formato online e autoridades recomendaram permanência em casa.

Redação

Rui Vieira, natural da freguesia de Rio de Moinhos, no concelho de Penafiel, está a viver no Qatar desde dezembro, onde aceitou uma proposta para lecionar Música numa escola internacional em Doha. Há cerca de três meses no país, o professor português viveu recentemente um dia de forte tensão, na sequência de ataques registados na região e da ativação do sistema de alerta nacional.

Alerta nacional acordou população

O docente acordou com um aviso de emergência no telemóvel, acompanhado por um sinal sonoro intenso e por uma mensagem em árabe e inglês a apelar à permanência em casa e ao afastamento de instalações militares. As autoridades pediam à população que evitasse deslocações e permanecesse em locais seguros até que o perigo passasse.

Ao longo do dia, Rui Vieira ouviu várias explosões, registadas em diferentes momentos. Segundo relata, os ataques terão sido direcionados para uma base militar dos Estados Unidos. O som, provocado pela ativação do sistema de defesa antimíssil, era claramente audível no interior do apartamento onde reside.

“O estado de alerta é constante”, descreve, acrescentando que voltou a receber novo aviso de emergência nacional numa altura em que vários mísseis e drones foram abatidos no espaço aéreo de Doha.

Tráfego reduzido e serviços condicionados

As autoridades do Qatar aconselharam a população a permanecer em casa e a evitar deslocações desnecessárias. O tráfego nas ruas tornou-se significativamente mais reduzido, com os residentes a respeitarem as orientações oficiais.

Alguns serviços, como restaurantes e supermercados, estiveram temporariamente encerrados, mas entretanto retomaram o funcionamento normal.

Aulas passam para formato online

No plano profissional, a escola onde leciona manteve as instalações fechadas, seguindo as indicações governamentais. As aulas passaram para formato online e os alunos foram instruídos a permanecer em casa, pelo menos de forma provisória.

Embaixada recomenda vigilância

Rui Vieira integra ainda um grupo de WhatsApp de portugueses residentes no Qatar, onde é partilhada informação atualizada, incluindo comunicações da Embaixada de Portugal.

Numa nota enviada à comunidade portuguesa, a Embaixada recomendou que todos se mantivessem em casa ou em local abrigado, evitando deslocações ao exterior sempre que possível. Entre as orientações transmitidas estão a identificação de um local seguro na residência, a garantia de reservas de alimentos, água e medicamentos, a manutenção de um perfil discreto e a preparação para ajustar planos consoante a evolução da situação.

Foi igualmente recomendado que os cidadãos mantenham o telemóvel carregado e informem familiares e amigos sobre a sua condição. A Embaixada informou que está a acompanhar permanentemente os desenvolvimentos, em contacto com as autoridades locais e com outras missões diplomáticas, nomeadamente da União Europeia, tendo divulgado os contactos de emergência consular.

Para o professor natural de Rio de Moinhos, a prioridade é continuar a cumprir as recomendações das autoridades e acompanhar atentamente a evolução dos acontecimentos numa região que permanece sob vigilância reforçada.