Marcos Antunes é de Resende e cresceu a jogar futebol na rua. Recentemente, elevou a sua paixão a um dos expoentes máximos, sendo nomeado selecionador nacional de futsal de Angola.

Foi na rua, com caixas de fruta a fazer de balizas, que começou a jogar futebol e foi a escola que lhe trouxe a oportunidade de integrar uma equipa de futebol de salão. “A escola foi muito importante. O desporto escolar, quando era a sério, resultava e este bichinho foi nascendo”, contou ao Jornal A VERDADE, lembrando que, em 1998, sagrou-se campeão distrital de Viseu e “o bichinho foi ficando sempre”. Criou ainda o projeto da escola de futsal “Os Afonsinhos” e “o vício do futsal continua a querer marcar o crescimento dos miúdos, dos jovens, da formação”.

Marcos Antunes é filho e neto de angolanos e sempre foi “crescendo com a cultura, as pessoas, o afeto, a alimentação, a música” daquele país. “Faz parte um bocadinho daquilo que é a minha personalidade e a minha forma de estar e de ser. Sou português orgulhoso, mas, a partir de hoje, também, como já o tinha feito desde junho, defenderei a Seleção de Futsal de Angola com unhas e dentes”, acrescentou.

Até esta semana, assumia as funções de diretor técnico da Federação Angolana de Futsal, mas, desde quarta-feira, dia 12 de janeiro, que foi nomeado selecionador nacional de futsal sénior masculino de Angola.

“Para já, queremos organizarmo-nos e estruturarmo-nos e, a partir daí, juntamente com a direção, que é humilde e é trabalhadora, colocarmos em cima da mesa alguns daqueles que são os objetivos a que nos propusemos, alguns que me foram colocados para explorar e, nesse sentido, fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para que consigamos unir a população do futsal, ‘refutsalizar’ Angola e criar novas dinâmicas que permitam fazer com que, dentro de em breve, possamos ser uma potência do futsal africano”, afirmou.

“A ideia é, de facto, unir, através do futsal, criar comprometimento, criar alinhamento para que todos os intervenientes de futsal em Angola se alinhem e possa daqui surgir um projeto que esperamos que seja de excelência e, com toda a certeza, vai ser”, completou.

“Foi uma proposta colocada em cima da mesa pela direção, de forma séria e honesta, e valorizando aquilo que foi o meu trabalho noutras funções durante este processo, que já vem desde junho de 2021. Foi pensar um bocado analisar, ouvir a proposta que tinham para mim, o que é que pretendiam para o futuro numa nova dinâmica e foi ponderar os prós e os contras, saber que, se calhar, é o expoente máximo da parte desportiva, qualquer treinador anseia ser selecionador da seleção que esteja, sendo que esta seleção, particularmente para mim, é especial. Nesse sentido, o projeto que me foi apresentado e toda a estrutura e à vontade que me deram para que possa fazer algo diferenciador foi fator de peso para que eu tomasse essa decisão de aceitar o convite”, explicou.

Aos olhos de Marcos Antunes, “ninguém vive a modalidade como os adeptos africanos, independentemente do futebol ou futsal, com um sentimento de festa e de partilha e de um momento bom que se passa a ver o jogo”. “A nível de fundamentos de jogo, do processo de jogo e do processo de treino, se calhar, é por aí que temos de entrar”, disse, referindo o Mundial da FIFA na Lituânia serviu para o “reconhecimento” do futsal praticado lá como “criativo e habilidoso”, sendo também “mais tático”.

“Estamos muito próximos de um europeu, no qual somos campeões europeus e mundiais, e, portanto, nós estamos quase a roçar o céu no futsal, mas acreditar no processo, não termos muita pressa, porque a pressa é sempre inimiga da perfeição”, rematou. Marcos Antunes deseja que o mesmo processo que tem vindo a “dar resultado” com a sua escola de futsal “seja possível passar para Angola” e que possam “tornar o futsal uma modalidade olímpica”, porque “é o que falta, neste momento, para que o futsal seja reconhecido como uma modalidade de topo e apaixonante”.