Lua…
Hoje,
Vieste vestida de ouro
Trazes na face o namoro
Do sol
Que é o teu pelouro.
A terra
Vieste iluminar
Os amores
Contaminar
De paixão e até dores…
Inspiras os corações
De quem quer cantar
canções
E poemas escrever.
És musa completa
Que em mim
Sempre desperta
A vontade de compor
Versos cheios de cor
Aqueles
Que falam de amor.

Foto: Delegação de Marco de Canaveses da Liga Portuguesa Contra o Cancro

Este foi o poema de Madalena Natário, que faz parte da delegação de Marco de Canaveses da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que inspirou Conceição Martins Correia a pintar o quadro que angariou mil euros para esta instituição.

“Imbuída na fantasia do poema, na sua imaginação e contexto, tentei exprimir pensamentos, desejos, sentimentos, duma forma irrealista, com predominância da cor e traços ténues que permita ao observador fazer a sua própria interpretação”, descreveu ao Jornal A VERDADE, explicando que foram usadas tintas a óleo de secagem lenta, que permitem “a flexibilidade que este tipo de trabalho requer”, espátulas e pincéis, além de tecido, papel e as próprias mãos.

A obra foi leiloada durante o jantar de gala a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, realizado no sábado, dia 16 de julho, em Marco de Canaveses.

As reações ao quadro foram “muito positivas” e foi “um orgulho enorme” para Conceição Martins Correia, poder contribuir com um trabalho seu “para uma causa tão nobre como o é a Liga Portuguesa contra o Cancro”. “Fiquei, sim, muito lisonjeada com o convite”, completa.

É desde criança que Conceição Martins Correia, natural de Castelo de Paiva, sente “uma enorme sensibilidade para tudo o que fosse arte…desenho, trabalhos manuais, decoração (muito)”. “Infelizmente, seguir as artes era bastante restritivo e elitista, naquela época. Sou do tempo, ainda, em que as meninas que tinham a possibilidade de seguirem os estudos eram incentivadas a serem professoras! É claro que gostei muito de exercer a minha profissão como professora do ensino pré-escolar, mas, quando me aposentei, aquela vocação latente começou a emergir e a tomar forma”, comenta.

É autodidata e, com “perseverança, determinação e gosto”, foi aperfeiçoando a sua arte. Hoje em dia, é uma paixão que só consegue “acalmar” quando está envolvida nas suas telas, tintas e pincéis.

“Não raras as vezes, começo um trabalho sem plano ou compromisso. Apenas deixo correr a tinta e os pincéis… e a criatividade e liberdade das formas e cores seguirem o seu caminho. Às vezes, não sei o que quero transmitir e nem sei porque o faço… apenas que é assim que me sinto feliz. Deixo, assim, para os outros a liberdade de interpretarem aquilo que veem nos meus trabalhos”, afirmou, referindo que tem como inspirações Gerhard Richter, Claude Monet, entre outros.