A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) emitiu um aviso à população, tendo em conta a “chuva, vento, agitação marítima forte e neve”, na sequência do contacto com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Desta forma, nas próximas 72 horas, o quadro meteorológico irá afetar todo o território nacional, nomeadamente: chuva persistente, por vezes forte, a partir do início da noite, com o período mais crítico  entre as 00h00 e as 06h00 de amanhã (11 de dezembro), em especial nos distritos de  Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal, Portalegre (20 a 30 mm/3h ou períodos  inferiores) e entre as 06h00 e as 09h00 no distrito de Faro (10 a 20  mm/3h). Novo agravamento a partir da madrugada do dia 12 de dezembro na região  Norte (40 a 60 mm/12h, no período 00h00 horas e as 12h00), estendendo-se às  restantes regiões com acumulados de 30-40 mm no período 12h00 -24h00, com condições  favoráveis à ocorrência de trovoadas. 

A ANEPC alerta ainda para “vento forte do quadrante oeste mais intenso na faixa costeira ocidental a sul do cabo Carvoeiro e nas terras altas (<40 Km/h), com rajadas da ordem dos 90 Km/h, a fazer-se  sentir em especial entre as 01h00 e as 04h00 de amanhã e novamente a partir  da manhã seguinte nas regiões Norte e Centro”.

A queda de neve está prevista acontecer acima dos 1000/1200 metros até ao início da manhã (11 de dezembro), podendo acumular até 5-10 cm nos distritos de Bragança, Vila Real, Braga, Viana do Castelo, Viseu, Guarda e Castelo Branco. 

De acordo com a informação disponibilizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), podem  ocorrer variações significativas dos níveis hidrométricos nas zonas historicamente mais vulneráveis: Bacia do Tejo – aumento significativo das afluências com impacto amanhã, em  especial na sub-bacia do rio Nabão e troço inicial do Tejo nacional;  Bacia das ribeiras do Algarve (sotavento) – aumento significativo das afluências com impacto amanhã; Bacias do Lima, Cávado, Ave, Vouga e Douro (Sousa e Tâmega), aumento  significativo das afluências com impacto na segunda-feira, dia 12 de dezembro. 

Face à situação acima descrita, poderão ocorrer os seguintes efeitos, segundo a autoridade de proteção civil:  

− Ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais  por obstrução dos sistemas de escoamento;  

− Ocorrência de cheias, potenciadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água, rios  e ribeiras; 

− Instabilidade de vertentes, conduzindo a movimentos de massa (deslizamentos,  derrocadas e outros) motivados pela infiltração da água, podendo ser potenciados pela  remoção do coberto vegetal na sequência de incêndios rurais, ou por artificialização do  solo; 

− Arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos, ou ao desprendimento de  estruturas móveis ou deficientemente fixadas, por efeito de episódios de vento forte, que  podem causar acidentes com veículos em circulação ou transeuntes na via pública; 

− Possibilidade de queda de neve em áreas e a altitudes onde habitualmente se verifica;  

− Piso rodoviário escorregadio por eventual acumulação de gelo, neve e formação de  lençóis de água.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) recorda que o eventual impacto  destes efeitos pode ser minimizado, “sobretudo através da adoção de comportamentos adequados, pelo que, e em particular nas zonas historicamente mais vulneráveis, se recomenda a adoção e divulgação das principais medidas de autoproteção para estas situações”, nomeadamente:  

− Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de  inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre  escoamento das águas;  

− Garantir uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards  e outras estruturas suspensas;  

− Ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando  atento para a possibilidade de queda de ramos e árvores, em virtude de vento mais forte;  

− Ter especial cuidado na circulação junto a zonas ribeirinhas historicamente mais  vulneráveis a fenómenos de transbordo dos cursos de água, evitando a circulação e  permanência nestes locais;  

− Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tendo especial cuidado com a  possível formação de lençóis de água nas vias;  

− Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou  viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;  

− Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva,  desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos  muito próximos da orla marítima;  

− Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e Forças  de Segurança.