A chegada da pandemia da COVID-19 veio alterar hábitos e rotinas, de forma inesperada, mas foi também um momento de reinvenção e criação de projetos que respondem aos novos desafios impostos pelo distanciamento social.

Assim nasce na Estação Arqueológica do Freixo/Tongobriga, em Marco de Canaveses, um “projeto pioneiro”, que convida o público a experienciar a música pelo património local. 

“Sons do Bolso”, criado pela Interferência – Associação de Intervenção na Prática Artística leva-o a “explorar o espaço geográfico na procura de peças musicais geolocalizadas, que apenas poderão ser ouvidas quando se encontrarem próximos da localização”, revela o diretor artístico do projeto, José Tiago Baptista, em entrevista ao Jornal A VERDADE. 

Não se trata apenas de visitar os locais onde o projeto está implementado, mas também “de conhecê-los de maneira diferente, mais intimista e com mais aproximação”, indica Ana Mascarenhas, coordenadora da Estação Arqueológica do Freixo, acrescentando que o “Sons do Bolso” é um “pequeno grande pormenor para que os marcoenses visitem as ruínas como um espaço de lazer”.

Foto: DR

Será no dia 26 de fevereiro, sábado, que o projeto “Sons de Bolso” chegará à Estação Arqueológica do Freixo/Tongobriga, através de uma aplicação com peças musicais geolocalizadas, com um QR Code associado. Contará com várias peças de autor, criadas em zonas de património cultural português, uma vez que, como conta José Tiago Baptista, “estes locais e a música levam as pessoas a refletir sobre a temática da democracia e das liberdades. Há um objetivo de intervenção constante do projeto”.

O lançamento do projeto contará com apresentação da peça “História de quadrados e círculos”, de Manuel Brásio e José Tiago Baptista, membros da direção artística da Interferência – Associação de Intervenção na Prática Artística, formada por “músicos, essencialmente compositores, com o objetivo de divulgação e criação musical da música contemporânea”, destaca o último.

José Tiago Baptista identifica a criação artística como a sua motivação, “neste caso, num ponto importante do românico, que eleva os primórdios da civilização ocidental moderna e se pode relacionar com a temática da democracia pelo aspeto social”, salientando que “o importante é ir aos locais e ouvir. São peças pequenas e pensadas para um público alargado, mesmo que a música contemporânea não o seja”. 

Foto: DR

De forma a valorizar o património, as peças têm uma duração de quase quatro minutos, para que, “aproximando-se daquilo que é a cultura do meio”, as pessoas possam “contemplar” a localização.

A coordenadora da Estação Arqueológica do Freixo, Ana Mascarenhas, realça que “é necessário que os marcoenses comecem a usar o espaço de tongobriga como espaço de lazer e que desfrutem de forma diferente, com um suporte digital mais agradável, isto permite que, por exemplo ao domingo, lá vão”.  

O projeto “Sons de Bolso” conta com o apoio da Direção Regional de Cultura do Norte e de Ana Marcarenhas, coordenadora da Estação Arqueológica do Freixo.

Artigo redigido com o apoio de Sofia Gomes, aluna estagiária da Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro.