“União” mantém professores do Agrupamento de Escolas de Alpendorada em greve há quatro dias.

Os professores da Escola Secundária e da EB 2,3 de Alpendorada encontram-se em greve há quatro dias consecutivos. Os docentes reivindicam por uma “progressão na carreira e pelo aumento salarial”, de forma a “dignificar a profissão”.

Estela Freitas trabalha na Escola Secundária de Alpendorada e é professora há 35 anos, questionada pelo Jornal A VERDADE sobre as reivindicações, a docente começa por pronunciar vários “nãos”: “não à municipalização da educação, não ao travão na progressão do escalão e da carreira, não à falta de dignidade com que nos tratam”. Acrescentando, ainda, que “não aceitamos que nos atropelem mais. A união entre professores está a vincar uma posição”.

Foto: Jornal A VERDADE

Já Pedro Lopes, professor de português há 25 anos, afirma que “estou aqui porque acredito nesta luta, acredito que precisamos de dignificar a profissão e de valorizar a escola pública e, portanto, as políticas educativas têm de mudar para ver se há respeito entre todos os intervenientes”, referiu.

O Jornal A VERDADE ouviu, ainda, o testemunho de Maria José, professora de matemática há quase 40 anos, apesar de estar perto da reforma e “no topo da carreira”, está “solidária” com os seus colegas de profissão que considera estarem a passar “um mau bocado” e, por isso, concorda que é fundamental a “união dos professores”.

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“União” é também a palavra que soa na Escola EB 2,3 de Alpendorada. “Nós aqui em Alpendorada somos uma família bastante unida”, diz José Carlos e Manuela Pinto, professora de educação física há 32 anos, completa que “estamos aqui em representação do agrupamento, são escolas diferentes, mas estamos todos juntos”.

José Carlos soma 21 anos como professor de português e inglês e lamenta a situação dos docentes: “começa a ser difícil aguentar porque sai-nos do bolso, ao contrário do que muita gente pensa, ficar aqui significa uma perda de salário, mas se a causa é justa vamos continuar”, afirma convicto.

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Unânime é também a opinião sobre a cobertura noticiosa ao tema: “A televisão está mais preocupada com as cheias e focam-se nesse tema ou nos comentários ao mundial de futebol, os professores para eles são uma espécie menos importante”, realça Estela Freitas.

A Escola EB 2,3 de Alpendorada tem tido “mais adesão”, praticamente de 100% o que resultou no fechar portas da escola na segunda, terça e quarta-feira, entre 12 e 14 de dezembro. Desta forma, Manuela Pinto termina por reconhecer que, de certo modo, os mais “prejudicados são os alunos e pais, mas só assim é que nós conseguimos fazer alguma coisa e mostrar a nossa indignação”.

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Os professores afirmam que o tempo da greve é “indeterminado” e, pelo menos na Escola EB 2,3 de Alpendorada a ambição é mantê-la até sexta-feira, dia 16 de dezembro. Na greve têm participado, por escola, 20 a 30 professores do Agrupamento de Escolas de Alpendorada.

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