Falar do concelho de Resende é, obrigatoriamente, falar de cerejas. É o “ex-libris” do concelho e, na entrevista do presidente da câmara municipal ao Jornal A VERDADE, foi destacada a importância da produção deste fruto para o desenvolvimento económico do território.

“Quando vim para a câmara, apercebi-me que haviam várias ações relacionadas com a cereja e que a produção não estava minimamente modernizada. Ainda era feita com os métodos tradicionais, ou seja, eram aquelas cerejeiras enormes, de quatro ou cinco metros, em que as pessoas tinham de trepar para colher o grupo”, explicou.

Nos dias de hoje, esta produção “já está muito apoiada pela parte científica. Quando abriu o quadro comunitário, o Portugal 2020, concorremos aos grupos operacionais, numa candidatura da produção e da comercialização. A da produção foi-nos concedida, a da área da comercialização não. No programa 2030, esperamos ter a oportunidade de a concretizar, porque vamos promover essa candidatura na área da comercialização”, sublinhou.

O objetivo desta candidatura foi finalizado no início do ano de 2022, com a apresentação de um manual de boas práticas para a produção deste fruto. “A parceria que fizemos com a área científica conseguiu vocacionar professores para a área da cereja. Iniciamos, então, uma ação de apoio à produção da cereja, com a vinda dos professores cá e com experiências feitas nos pomares do concelho. Os agricultores perceberam que, efetivamente, tinham que ser apoiados pela parte científica que foi fundamental e, nestes quatro anos, foi necessário arranjar o material específico para perceber o que tinha de ser feito”, disse.

De acordo com Garcez Trindade, “a produção de cereja necessitava de uma mudança a duzentos por cento”, defendendo que, quando há um ano mau, “é terrível”, uma vez que “as pessoas têm a sua economia pessoal nas cerejas. A maioria dos agricultores trabalhava sem seguros. Quando acontecia alguma coisa, nomeadamente a nível de meteorologia adversa, era complicado. Não havia escala de produção, cada um plantava o que achava correto, não sabiam o tipo de variedades que deviam ser plantadas. Foi esse estudo que foi feito”.

Todos estes estudos ajudam “à certificação da cereja”, sendo que o presidente considera que “este foi o primeiro passo” para essa conquista. “A partir do momento em que as pessoas comecem a perceber que a produção tem regras, que foram estudadas, vai ser mais fácil. Os produtores, à medida que o tempo ia passando, foram tomando consciência de que isto era necessário”, constatou, recordando que “a produção da cereja continua a ser feita por pessoas já com alguma idade, que têm o vício da produção tradicional. Todo este estudo foi feito para que eles se sintam apoiados, do ponto de vista científico, para terem uma boa produção”.

O presidente informou que a Cereja de Resende “é uma das mais procuradas”, uma vez que é das primeiras a surgir na Europa. “Toda a gente gosta de cerejas. Eu não conheço ninguém que não goste e toda a gente gosta da cereja de Resende. Iniciamos um festival no início do século que foi o que acabou por dar o nome à cereja. Nestes dois últimos anos não se realizou devido à pandemia, mas este ano a previsão é que, no último fim de semana de maio, o Festival da Cereja de Resende volte a realizar-se”, constatou. Após o festival, há também ações de promoção da cereja em vários pontos do país, promovidas pela autarquia.