No Dia Mundial do Coração que se celebra esta quinta-feira, dia 29 de setembro, a história de Ricardo Alves e Daniela Vieira simboliza o coração num relato de amor, esperança e superação.

O casal conheceu-se através da rede social Facebook. Mais tarde, uma “coincidência feliz” juntou Ricardo, natural de Alpendorada, e Daniela, de Castelo de Paiva, na mesma discoteca há dez anos. Ricardo relembra que “houve uma troca de olhares e de sorriso. Houve sempre uma sensação em ambos que nos conhecíamos há muito tempo”, conta.

A partir do dia 5 de fevereiro de 2012 e até à data do início de namoro, o casal ficou “sem falar, desviávamos o olhar quando nos víamos, mas por incrível e até estranho que pareça foi o cancro que nos uniu”, diz Ricardo.

Apesar de Daniela não falar com Ricardo “há imenso tempo”, ficou “sem chão” quando soube que ele estava doente. “Fiquei sem chão e nem conseguia pensar em nada, senão no fim, as lágrimas corriam pela minha cara e sem saber o que fazer, acabei por mandar mensagem para saber o que se passava”, descreve.

Leucemia Linfoblástica Aguda, tipo B, foi o “palavrão enorme” que recebeu. “Parecia um camião a passar na minha cabeça. Depois de uns dias acabei por ir visitá-lo ao hospital. Não dá para explicar o quão longo parecia aquele corredor até ao quarto número dez. Paralisia, bloqueio completo, apenas senti isso. Lá estava o Ricardo, com um sorriso à minha espera e assim percebi que eu não estava a sofrer porque a minha paixoneta estava a acabar, eu estava a sofrer porque o meu grande amor estava a sofrer também”, relembra Daniela.

Foi assim que Daniela e Ricardo começaram a emaranhar-se, cada vez mais, numa história de amor, sem saber o dia exato quando ela tinha surgido. A Daniela optou por “escolher a data através dos seus números preferidos”, conta Ricardo entre risos e, acrescenta: “tanta responsabilidade!”.

Dia 12 do mês 7 do ano de 2014, estava decidido.

Apesar de melhor, o cancro continua presente na vida de Ricardo. Esteve em tratamento durante três anos através da “veia e por comprimidos, depois, estive um ano só a comprimidos em casa”.

No quinto ano, a previsão era para que ficasse “curado”, mas teve uma “recaída”. “Os médicos mudaram o protocolo, agora que já fiz os cinco anos, estou estável, mas não curado”. Precisa de somar mais dez anos para “ficar totalmente curado”, explica.

Nesta fase da sua vida, o melhor foi: “ter alguém como ela ao meu lado, sabia que podia estar descansado, que se precisasse de algo ela estava ali para tudo”. Ricardo aprendeu a lutar, pois, no início, “não sabia o que fazer, o que dizer, o que pensar”. Mais tarde, “fiz um colete de força a mim mesmo”.

“Mesmo que eu estivesse mal, eu não podia mostrar esse lado, porque os que me rodeavam também ficavam mal e eu não queria”, acrescenta.

Por outro lado, o “orgulho” enchia o coração de Daniela sempre que via Ricardo fazer “daquele bichinho uma coisa banal”.

“Houve momentos em que não foi fácil para nenhum dos dois, mas eu não o ia deixar sozinho. Ele tinha força pelos dois e eu só estava lá, sempre, para não o deixar cair”, acrescenta Daniela.

Ao mesmo tempo, Ricardo não tinha receio que ela o deixasse: “o ponto de força que eu tinha era a Daniela. Até este momento é igual”.

“Na saúde e na doença” é a base da relação. Noutro momento da vida, Daniela foi operada e esteve em recuperação da cirurgia. “O Ricardo dormia no chão do meu quarto, ao meu lado, porque tinha medo de me magoar durante a noite”, relembra.

No dia 30 de julho de 2022, o casal de 29 anos, nascidos com apenas dois dias de diferença, casou-se num momento que festejou “o amor, o nosso e o daqueles que estão perto de nós e que sempre torceram por nós”, diz Daniela.

Numa tentativa de deixar uma mensagem para aqueles que possam passar pelo mesmo, referem que é “difícil, somos todos tão diferentes, mas podemos dizer para não se esquecerem apenas que o amor verdadeiro, às vezes, não é fácil”.