É habitual dizer-se que “a vida são dois dias”, mas a rotina e o stress do dia a dia não deixam, muitas vezes, tempo de sobra para pensar no que se considera ser mais importante. Contudo, basta um acontecimento marcante para que tudo mude e até um pequeno momento passa a ser valorizado. Foi o que aconteceu com Paula Ferreira, uma mãe de 42 anos, natural da freguesia de Peroselo, em Penafiel.

O Jornal A VERDADE foi conhecer a história desta penafidelense que foi diagnosticada com cancro da mama em março de 2015.

Após notar um “estranho nódulo na mama”, dirigiu-se ao hospital para realizar uma ecografia e mamografia. A notícia difícil de dar e que ninguém quer ouvir chegou ainda no mesmo dia: a situação era “preocupante” e “um bocado avançada”, por isso, os tratamentos “tinham de começar o mais rápido possível”.

Em declarações ao Jornal A VERDADE, Paula Ferreira explicou que a operação se realizou um mês logo após o diagnóstico, em abril de 2015, e correu “tudo dentro do esperado”, não tendo sido necessário fazer mastectomia. No entanto, uma das partes mais complicadas veio a seguir: os tratamentos.

Durante cerca de quatro meses, a penafidelense deslocou-se regularmente ao Hospital de São João, no Porto, para realizar um total de seis sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia. 

Paula Ferreira confessou que a sua maior força foi nunca se deixar “ir abaixo, o que é muito importante” para si e para a família. O apoio dos filhos e do marido – que também já tinha passado por graves problemas de saúde, 12 anos antes – foi “fundamental” neste processo. Além disso, também sublinha que teve “muita ajuda do Estado”.

“Ao fim de um ano e meio, fui para o meu trabalho e continuei a fazer a minha vida”, contou. No entanto, confessou: “Tenho as minhas limitações, tirei os gânglios na axila e isso poderia ter efeitos secundários”, afirmando que esse processo assustou-a, mas que conseguiu ultrapassar tudo. 

Hoje em dia, garantiu valorizar mais a sua vida, o tempo e os momentos, tendo agora a possibilidade de “dar mais valor a muitas coisas, sem dúvida alguma”.

O cancro da mama é um dos tipos de cancro mais comuns entre as mulheres e é a segunda causa de morte por cancro, na mulher, informa a Liga Portuguesa Contra o Cancro. Em Portugal, anualmente, são detetados cerca de sete mil novos casos de cancro da mama e 1.800 mulheres morrem com esta doença.

Texto redigido com o apoio de Sofia Gomes, aluna estagiária da Universidade de Trás-Os-Montes e Alto Douro