A manhã desta quinta-feira, dia 3 de março, foi diferente para dezenas de alunos e professores de três turmas do Ensino Secundário da Escola Básica e Secundária de Lordelo, em Paredes. Com vista a conhecerem melhor a realidade do mercado de trabalho, visitaram a empresa Inovocorte, do setor da metalomecânica, sediada em Lordelo.

Maria Leal, Inês Carneiro, Marta Sousa e Luana Silva são alunas do 11.º ano do Curso Técnico de Comércio e acharam a visita “interessante” e uma ajuda para ficarem “a conhecer melhor sobre o que é a vida lá fora”. A professora que as acompanhava, Maria Mateus, acredita que, com esta experiência, “é muito mais fácil depois dar a matéria na sala de aula”. “O ensino profissional torna-se muito mais enriquecedor depois de uma visita destas”, acrescentou.

Depois de uma apresentação acerca da empresa, os jovens visitaram as várias funções que lá operam. Na Inovocorte trabalham 84 pessoas, sendo que 95 por cento daquilo que fabrica é para exportar indiretamente.

“Eles vão ver que, se calhar, a ideia que têm de uma serralharia, que é uma coisa suja, dura, pesada, afinal, não é nada disso, que as máquinas trabalham sozinhas e que isto são profissões de futuro”, disse José Machado, presidente da empresa.

“Todos temos esse problema que é a falta de mão de obra e de mão de obra qualificada que esse ainda é o maior problema, é ter pessoas que saibam o que estão a fazer porque, hoje em dia, os jovens não querem trabalhar neste tipo de trabalho, pensam eles que é um trabalho sujo, duro e, hoje em dia, nada disso é verdade porque as empresas, seja de serralharia, seja de móveis, estofos, o que for, têm condições, têm máquinas”, continuou, referindo que “é pena que os jovens não queiram continuar estas artes”, mas que “a tendência é mudar, em breve”.

Esta é a segunda visita do projeto “A Vida à Porta”, desenvolvido pelo município de Paredes, a ASEP – Associação de Empresas de Paredes e os agrupamentos escolares.

“O que queremos fazer, de facto, é aproximar os alunos, fazer com que eles conheçam as empresas, as condições que elas têm para dar”, sublinhou o presidente da ASEP, Silvestre Carneiro, explicando que também poderá ajudar os jovens que não querem dar continuidade aos estudos a identificarem-se “com alguma coisa que lhes diga algo, algum trabalho específico, alguma arte e alguma profissão”.

Para o presidente da autarquia, Alexandre Almeida, “é por todos reconhecido que a indústria no concelho de Paredes tem tido necessidade de mão de obra”. “Se pudermos aproveitar aquela mão de obra que temos no concelho é para nós muito importante e, para isso, temos que desmistificar algumas ideias que os alunos tinham quando terminam o 12.º ano, por exemplo, e não querem ingressar na faculdade”, indicou.

“Hoje em dia, trabalhar numa indústria não tem nada a ver com aquilo que era há 20 anos. São trabalhos, depois, com um grau de especialização cada vez mais crescente, poderão ter formação específica para esse trabalho, condições salariais acima da média e boas condições de trabalho e é isso que procuramos fazer com que estes alunos sintam realmente o que são indústrias neste momento, no concelho de Paredes, indústrias de tecnologia de ponta e vejam isso como uma carreira de futuro para eles”, rematou.