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Novecentos e trinta. É este o número de famílias que já foram apoiadas pelo projeto “Família Solidária”. Foi criado em plena pandemia, com o intuito de ajudar famílias carenciadas que viram os rendimentos serem reduzidos devido à COVID19.

Emília Sousa, o marido e os dois filhos foram uma das famílias que recorreu a este projeto pela “fase complicada” que estavam a viver. “Tenho dois filhos pequenos, com 8 e 11 anos, e o meu marido tinha sido operado. Com contas a pagar chegamos a um ponto que não aguentamos”.

Foi através da rede social Facebook que Emília teve conhecimento do projeto, que até ao momento lhe fez chegar mercearia. “Na campanha de Natal fui uma das selecionadas para receber um cabaz. São cabazes mais pequenos, mas ajudam sempre, porque trazem o essencial”, garante.

Para o pedido de ajuda foi necessário “responder a um questionário, no qual tivemos de apresentar provas do que falamos, porque há uma logística a respeitar”, explica.

O pedido de ajuda repetiu-se recentemente, porque “por motivos de saúde” o casal encontra-se sem trabalho.

O ano de 2023 começou com novos aumentos em todos os setores, como mercearia, luz e combustíveis, agravando a vulnerabilidade desta família. “Num mês atrasa-se o pagamento da fatura da luz, no seguinte paga-se as duas e atrasa-se a do gás e vai-se aguentando assim, para não haver cortes. Vou tentando dar o melhor aos meu filhos”.

O futuro “assusta” esta e outras famílias carenciadas e para Emília Sousa a “tendência é piorar, infelizmente”

O apoio vai sendo dado “pelo município de Lousada que todos os anos em março oferece o cabaz” e pela “Família Solidária”. “Graças a Deus que existem estes grupos de ajuda. Tentamos recorrer a eles para nos ajudar, porque eu costumo dizer que um quilo de arroz já faz a diferença”.

Projeto “Família Solidária”

Com a chegada da pandemia da COVID19 as famílias portuguesas viram-se “de uma hora para a outra”, na impossibilidade de cumprir com as suas obrigações e necessidades mais básicas, como alimentação e higiene. Para fazer face as estas dificuldades, surgiram por todo o país grupos de ajuda e entre eles a “Família Solidária“.

Como nos explica Nilza Magalhães, uma das administradoras, o projeto surgiu para “tentar minimizar o impacto da pandemia nos rendimentos das famílias”, apelando à “solidariedade dos portugueses”.

A “Família Solidária” é uma plataforma que “estabelece a ligação entre o voluntário a família a ser ajudada. Este grupo destina-se a promover a entreajuda, abrindo os canais necessários para fazer chegar bens essenciais a essas famílias”, esclarece.

Nilza Magalhães, Cátia Rodrigues e Sónia Batista são as responsáveis pelo projeto e pelo “filtro dos pedidos, garantindo que a ajuda do voluntário chega efetivamente à família”.

Até ao momento, já ajudaram 930 famílias. Já foram realizadas duas campanhas de Natal Solidário, nas quais chegaram a 132 famílias em 2021 e a 162 em 2022. Numa campanha de regresso às aulas apoiaram 43 crianças com a entrega de material escolar.

No final de tudo, sentem que fazem “a diferença” na vida de “muitas famílias portuguesas. Essa é a missão do projeto “Família Solidária”, fazer a diferença na vida de muitas famílias e tentar dar mais dignidade e apoio nos momentos mais difíceis. Todas as famílias nos dão feedback e isso é muito gratificante.

A este projeto Emília Sousa deixa um agradecimento: “só não fazem mais porque não podem. Tentam dar o seu melhor”.