Se em Angola a luta é contra a escassez, em Portugal a batalha é pela manutenção da equidade. Num dia em que as notícias dão conta da união inédita de associações de doentes e organizações da sociedade civil a exigir respostas ao Governo sobre o impacto das doenças oncológicas, a pergunta impõe-se: estará Portugal a falhar no direito à saúde?
“Acho que estamos”, responde Paula sem rodeios. A investigadora identifica um fosso crescente que ameaça os princípios do Estado Social. “Estamos, sobretudo, a criar desigualdades. As pessoas que podem (às vezes até com sacrifício pessoal) pagam um seguro de saúde ou vão a um hospital privado. Mas, e as outras?”, questiona.
A existência de cidadãos que, por falta de recursos, veem os seus problemas de saúde agravados à espera de uma resposta, é uma violação da promessa de universalidade. “Gostava que o acesso fosse universal, atempado e gratuito. Acho que temos condições para isso, temos profissionais altamente qualificados”, afirma.
A solução, na visão da investigadora, exige vontade política para “investir no Serviço Nacional de Saúde e não permitir que ele morra”. Paula aponta ainda um caminho de longo prazo, uma autêntica “maratona”: apostar na prevenção e promoção da saúde para retirar a pressão sobre os hospitais.