A Ordem dos Enfermeiros alertou, esta segunda-feira, dia 30 de maio, para as dezenas de doentes que se encontravam, esta manhã, nas urgências do Hospital Padre Américo, em Penafiel, “à espera de vagas nos internamentos”. O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa garantiu que estão “a ser desenvolvidas todas as diligências para garantir o normal funcionamento na prestação de cuidados de saúde à população”.

“Hoje, durante a manhã, fomos avisados, por colegas que trabalham na urgência, a dizer que a urgência estava caótica, que tinha cerca de 80 doentes internados no Serviço de Urgência à espera de vagas nos internamentos, o que, objetivamente, também compromete a qualidade assistencial. Não é possível prestar-se cuidados seguros e atempados com este número de doentes internados”, explica João Paulo Carvalho, presidente da Secção Regional Norte da Ordem dos Enfermeiros, ao Jornal A VERDADE.

João Paulo Carvalho sublinha que atualmente o país não se encontra “naqueles picos habituais do inverno” e sim, numa “altura em que não era suposto isto acontecer”. “Destes cerca de 80 doentes que estavam internados, 13 deles eram doentes COVID, também tinha doentes com bactérias multirresistentes, que implicam um cuidado acrescido em termos de isolamento e de procedimentos que não é possível garantir quando a urgência está completamente entupida”, continua.

Para o responsável, este “é um problema estrutural do hospital”, que foi “pensado e construído para 350 mil pessoas e, neste momento, serve 550 mil”. Por isso, na sua opinião, o CHTS “tem de exigir à tutela que repense o hospital em função da dimensão da população que serve”, “pensar no aumento do hospital, numas instalações novas ou um melhor uso do Hospital de Amarante”.

“O hospital, quanto a nós, reagiu tardiamente porque, segundo o senhor presidente do Conselho de Administração, durante o dia de hoje, iriam começar a enviar doentes para outras unidades e iriam suspender consultas e cirurgias programadas, mas isso já devia ter sido feito porque, durante esta semana que passou, já tem estado assim bastante pressionado o hospital”, acrescentou.

Defende ainda que o CHTS já devia também ter pedido “ajuda ao INEM no sentido de deslocar ambulâncias com doentes para outros hospitais da área porque, se a urgência está completamente entupida, não faz sentido continuar a levar para lá doentes”. “Outra coisa que devia ter sido feita logo é esta questão de reforçar as equipas. Os profissionais não estão capazes de dar resposta… é transferir doentes para outras unidades porque, se o sistema trabalha em rede, não pode estar só o Hospital de Penafiel sobrecarregado”, explica, esperando que “este alerta faça mudar ali alguma coisa”.

Em comunicado, o CHTS afirma que está “a acompanhar, em permanência, a afluência de utentes ao Serviço de Urgência do Hospital Padre Américo”.

A situação dos doentes internados na urgência “deve-se à grande afluência de doentes nos últimos tempos e que tem atingido números próprios das épocas de Inverno”. “Estes momentos de maior afluência causam dificuldade de resposta por escassez de camas para internamento, apesar da permanente articulação que vamos fazendo com os outros hospitais da região, públicos, privados, Misericórdias e Hospital Militar e Hospital da Universidade Fernando pessoa, em Gondomar”, continua.

“Numa altura em que a afluência à urgência dos vários hospitais da zona Norte atinge os números a que temos assistido, a disponibilidade de camas em todo o sistema fica mais reduzida, obrigando a um esforço mais intenso”, explica.

O CHTS garante que vai “continuar a desenvolver todos os esforços para atenuar esta situação ao longo dos próximos dias, acompanhando em permanência a situação e promovendo articulação global com as outras instituições”.

Na manhã desta segunda-feira, estavam “105 doentes internados por COVID, sendo dois em cuidados intensivos”. Além disso, “78 doentes estavam internados no Serviço de Urgência”.

“O CHTS lamenta o transtorno causado e agradece a compreensão dos utentes, garantindo que estão a ser desenvolvidas todas as diligências para garantir o normal funcionamento na prestação de cuidados de saúde à população”, conclui.