Artigo de Lúcia Resende.

“E todos os anos, a cada dia, eu estou à tua espera… Porque, eu sou a mais bela liberdade, do teu espírito… Eu sou a alma, da tua Primavera!”

Chegas, Primavera, bela e formosa. Trazes em ti, vibrações de cor e de luz. Emanas cheiros e poesia. E vibras em raios de sol, que, mesmo não o sendo, sabem a dias de verão. Nos jardins teus, brilhas e resplandeces. Imergindo de ti, aromas de esperança.

Nesse renascer de vida. De magia. De brisas doces e suaves. Com sonhos, soalheiros e cadentes, de liberdade e frescor, pela tua atmosfera, solarenga e luminosa.

E nessa onda de nostalgia, tao agradável e primaveril, amanheces, num amanhecer, já amanhecido, do raiar dessa incomparável, beleza. Tão pura e rara. Límpida e cristalina. A cada ano, renascida. Sempre natural e revigorante. Por céus limpos e polidos. Pintados de pássaros e de cor. Despertos e entretidos, pelo seu chilrear, em cada alvorada, das tuas manhãs, frescas e cálidas. Essas, que inundam e celebram os prados verdejantes, que de verde se enfeitam, com orvalhos, amenos de ternura.

Submersos em carinho, cuidado e doçura.

E te rejubilas, Primavera, em cores, vivas e férteis. Árvores adornadas e ramos verdes, alagados de esplêndidos botões, pela tua natureza, pintados. Exultas, na criação de flores. Suaves e delicadas. Em essências perfumadas… enches o mundo de beleza, felicidade e pureza. De andorinhas, fazes as rainhas dos céus. E das borboletas, as bailarinas, dos campos, de erva mimosa e macia, repletos de matizadas flores. Invadidas pelo seu bater de asas, em cores belas e resplandecentes, de encanto e perfeição. De mestria e renovação, da natureza.

E tu, Primavera, vestes os cinco sentidos, em unanimidade, pelo alvorecer da tua grandeza. Majestosa e impetuosa, a cada alvor, da criação e produção, do teu conceber e germinar. Pelo encantado emergir da vida, que segue e pulsa, em viver…

Que, continua, contínua, sempre a renascer. A florir. A despontar. E a florescer. Num cenário revitalizante. Como um bálsamo, que sabe a alecrim e rosmaninho. Sabe a vida e a viver. A céu e a mar. A sol e luz. Nos teus dias, que são, como tu. Ternos e suaves. Caiados de flores e cores, pela tua chegada, numa união luzidia. Cobertos por perfumes, tão teus, levados, pela brisa, do teu gentil sopro, num brotar, incandescido.

Como, um beijo, doce e sentido, em plena harmonia.

E no apreciar de cada raio de sol, que de ti emerge. Cada suavidade que inundas e a todos contemplas. Com sons, paisagens, cheiros e sensações, sentem-se todos os fundamentos e sentimentos, somente teus. Nas margens da poesia da vida, nos ramos de cada árvore, por ti, enaltecida… E na pernada dessa árvore, de flores cintilantes, tingidas de rosa, daquele pássaro caiado, de múltiplas cores, ouve-se, aclamar a melodia, do que me tem a dizer. Ele entoa e apregoa: “Chegou a Primavera e aqui me trouxe, para te avisar: Eu sou um cantador, encantado. Sou alegria e melodia, a cada amanhecer… Ao coração, canto. A ele me dedico e encanto. E a ele, disponho, todo o meu viver. Nesse alvor primaveril, de amor e beleza, sou livre e livre sou. Teu me dou! E o espírito me eleva, ao som da Primavera. Porque eu e ela somos um.

Como tu e o amor, em espírito o vivem e sentem, em comum. A doçura, da minha voz, não é senão, a cor do meu ser. Eu canto e entoo cânticos, meus e da Primavera, que no amor habitam, sem antes mais o sentir. Rei em cores, eu sobrevoo e contemplo esse mundo, majestoso e sublime, a florir. Eu sou o pássaro da Primavera.

Em renascimento, encantamento e louvor. Sou pássaro, também, do teu espírito. Que do espírito teu, no coração inundas, dos campos verdejantes e resplandecentes, da vida e do amor. E todos os anos, a cada dia, eu estou à tua espera… Porque, eu sou a mais bela liberdade, do teu espírito… Eu sou a alma, da tua Primavera!”