Artigo de Lúcia Resende.

“Que humanidade resta, dessa que se afigura, em desfigura e negrura, em desumano e tirano? Quem a desvia, sem compaixão ou remorso, se permite de a desviar, dela se livrar e aos outros a impor e lançar?”

O ser humano anda por aí, algures perdido. Perdido naquilo que é. Ou aprendeu a ser. Naquilo que não sabe ser. E no que nunca, se devia perder… Perde-se em desumanidade e encontra-se em egoísmo. Em prepotência. Em aparência. Em poder ou mera riqueza. E, por e simplesmente, perde-se, em tudo, o que nada devia saber ser. E em nada, do tudo, que deveria ser.

E a bondade, que deveria estar inerente, nessa singularidade, que assim chamamos de humanidade, se perde toda. E pouca resta. Fica, por acréscimo, essa capacidade de sermos humanos, que sempre seremos seres humanos, mas que de humanidade, o deixamos de ser. E anda-se nisto. De roda e de volta. Do ser humanitário, em que se nasce. E do ser agreste, que se torna. Que se evidencia. E que o demonstra nos atos de desumanidade, que com ele, se comanda…

Na humanidade que se perde, toda ela fica a perder. Arruína uns. E esses bastam, para a colocar em causa e a pôr em questão. Mas meio mundo segue, rodopia e assobia para o lado… É mais fácil não querer ver. Ou facilmente aceitar uma sociedade em decadência. E ser mais uma ovelha, que apenas segue, no seu rebanho. Que somente e apenas, a semente da consciência. Iluminada e clemente. Compassiva e descontente. Do desfado dessa humanidade, se interroga a miúde. E tanto ambiciona o bom e indulgente ser, que se consumiu, pela falta de humanidade.

A falta de humanidade, será essa que domina e impera?

Que humanidade resta, dessa que se afigura, em desfigura e negrura, em desumano e tirano? Quem a desvia, sem compaixão ou remorso, se permite de a desviar, dela se livrar e aos outros a impor e lançar? Em que prados, a produz, que seca e enxuta não se reproduz, e tantas vezes entre rochedos se multiplica? Que humanidade é esta, que por ela, não se governa? Que será feito dela, dos humanos, que nela se aleitam e dos que dela dependem? Onde anda ela? Essa humanidade que ao ser humano, humano o transforma, afável o descreve e bondoso o representa? Onde paira a que nos fortalece e revigora, nos engrandece e prospera, nos enriquece e melhora?

Humanidade, essa que cresce e desaparece. Floresce e esmorece. Vinga e sangra. Existe e coexiste. Em nada. E em tudo. Porque ser humano é tudo quanto podemos saber. E saber ser humano, é tudo quanto devemos ser…

Lúcia Resende