A propósito do Dia dos/as Namorados/as, que se celebra esta segunda-feira, dia 14 de fevereiro, importa reforçar as mensagens de sensibilização para o fenómeno da violência no namoro e consciencializar para a importância do pedido de apoio.  

A violência nas relações íntimas não é um fenómeno exclusivo das relações entre pessoas adultas. A violência no namoro acontece quando o/a nosso/a parceiro nos magoa (física, emocional ou sexualmente) e nos controla a nós e à nossa relação. É um ato de violência que tem como objetivo ter mais poder e controlo do que a outra pessoa envolvida na relação. Todas as formas de violência no namoro têm como objetivo magoar, humilhar, controlar e assustar. A violência nunca é uma forma de expressar amor por outra pessoa.  

Em Portugal, a violência no namoro integra-se no quadro legal do crime de violência doméstica, no artigo 152.º do Código Penal. O Observatório da Violência no Namoro (ObVN) registou, entre janeiro e dezembro de 2020, 69 denúncias, perfazendo uma média de 5.75 denúncias por mês. As formas mais prevalentes de violência no namoro são a verbal e a emocional, seguidas do controlo e da violência psicológica. Em cerca de 26% dos casos as vítimas foram sujeitas a ameaças de morte e/ou tentativas de homicídio. A violência no namoro é ou foi, na larga maioria dos casos, praticada mais do que uma vez, ocorrendo em vários momentos do dia. Os impactos da violência no namoro manifestam-se sobretudo a nível psicológico e social. Cerca de 20% das vítimas tiveram necessidade de, na sequência da violência sofrida, receber tratamento médico e 12% estiveram em risco de vida. 

Uma relação não é saudável quando envolve comportamentos desrespeitosos, controladores e abusivos. Mesmo que, porventura, tenhamos assistido aos nossos pais (ou outras pessoas) a discutirem, brigarem e desrespeitaram-se emocional, verbal e fisicamente, isso não é normal! Nem está bem!  

É importante estarmos atentos aos diferentes sinais de alerta: quando o/a nosso/a namorado/a usa insultos verbais, linguagem agressiva, comentários negativos sobre nós, nos bate ou agride fisicamente, ou nos força a qualquer tipo de atividade sexual, estes são sinais verbais, emocionais ou físicos de abusos. Atitudes como não reconhecerem o comportamento do/a parceiro/a como abusivo ou de procurarem desculpar ou “normalizar” tais condutas; o receio de serem culpabilizados/as pela relação abusiva; a esperança de que o comportamento do/a parceiro/a mude ou o sentimento de vergonha, perpetuam o comportamento do/a agressor/a. 

A violência no namoro pode fazer-nos sentir muito sozinhos, assustados, envergonhados, culpados, inseguros, confusos, tristes e ansiosos. Mas é importante lembrarmo-nos que a violência NUNCA é aceitável. NUNCA, sob qualquer motivo, alguém tem o direito de ser violento/a connosco! A violência é uma forma errada de resolver os problemas e as dificuldades de um namoro. 

Nas relações saudáveis existe uma boa comunicação. Numa relação saudável devemos sentir-nos confortáveis para falar sobre qualquer tema e expressarmo-nos de forma assertiva. Ser assertivo é saber dizer “Sim” e “Não”. A assertividade é uma forma saudável de comunicar. É a capacidade de falarmos por nós mesmos, de dizermos e defendermos aquilo que pensamos e sentimos, mas de forma honesta e respeitosa. 

A maioria dos adolescentes não procura ajuda perante situações de violência no namoro e, quando o fazem, recorrem, por norma, à sua rede de apoio informal, nomeadamente amigos/as ou familiares, e não a profissionais. Por isso, é importante reconhecer que as autoridades policiais, as escolas, os centros de saúde e/ou hospitais e as estruturas de apoio, nas quais a APAV se inclui, são entidades que podem apoiar e informar as vítimas, seus familiares e amigos/as. 

Artigo de Opinião de Cláudia Cunha,

Psicóloga da Justiça e do Comportamento Desviante