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Penafiel
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Operação “LINHAS” arrancou no Tâmega e Sousa com 250 autocarros e preços congelados em 2026

Arrancou esta quarta-feira a nova rede de transporte público rodoviário da região. O serviço, denominado "LINHAS", foi 'oficialmente inaugurado' no Terminal Rodoviário de Penafiel, marcando o início de uma nova era na mobilidade da região com uma frota de 250 autocarros e um sistema de bilhética integrado.

Redação

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, na qualidade de Autoridade de Transporte, assinalou hoje o início da concessão que resulta de um concurso público internacional e de um investimento anual de 15,5 milhões de euros. O objetivo central deste novo modelo, desenhado em colaboração com os municípios, é colmatar falhas de acessibilidade, reforçar a oferta e simplificar a utilização dos transportes públicos num território que se assume como "peri-metropolitano".

Ambição metropolitana e ligação ao Porto

Para Telmo Pinto, Primeiro-Secretário Executivo da CIM do Tâmega e Sousa, este dia chega "depois de muitos embaraços, depois de muito tempo de trabalho", materializando a ambição da região em ter uma resposta de mobilidade moderna e conectada.

"Tinha que ter uma resposta a nível de tarifário, de integração da bilhética, com leitores dos vários passes que fossem consentâneos com a nova tecnologia e com a modernidade e com esta ligação à Área Metropolitana do Porto, que é, sem margem para dúvidas, o grande polo de atração de muitas viagens pendulares do nosso território", afirmou o responsável durante o arranque da operação.

Preços congelados e novos serviços urbanos

Uma das grandes novidades desta concessão é a estabilidade tarifária. Telmo Pinto garantiu que os preços se manterão inalterados no próximo ano, replicando os valores praticados em 2019.

"Em 2026 vai ser o mesmo preço de 2019, que é 30 euros para um transporte municipal, 40 euros intermunicipal, que é entre municípios, e 50 euros interregional, se quiser ter uma ligação ao Andante, a tudo aquilo que sejam os operadores na área metropolitana do Porto", explicou.

Além da ligação intermunicipal, a nova rede aposta no reforço das deslocações dentro das cidades. O serviço "LINHAS" traz uma resposta qualificada que vai ao encontro da vontade dos municípios, introduzindo três novos serviços urbanos: em Penafiel, Paços de Ferreira e Felgueiras, que se juntam ao serviço urbano já existente no Marco de Canaveses.

Chegar às zonas de baixa densidade: o transporte flexível

Confrontado com a questão da cobertura da rede em territórios que anteriormente não tinham certas rotas, o Primeiro-Secretário Executivo recordou que o regime jurídico obriga a que "todos os lugares com mais de 50 pessoas têm que ser servidos por transporte público". No entanto, admitiu que a regularidade será menor em locais de baixa densidade e muito associada ao transporte escolar.

Para resolver o problema das zonas mais recônditas, a CIM aposta no transporte a pedido (flexível). "Muitas vezes resolve e resolve de forma mais cómoda, e também do ponto de vista económico de forma vantajosa", sublinhou Telmo Pinto.

Atualmente, este transporte flexível já opera em Cinfães, Resende, Baião e Celorico de Basto. A expansão está prevista para breve: "Castelo de Paiva e Lousada já estão numa fase avançada para iniciar dentro de pouco tempo", adiantou o responsável.

O caso de Lousada

Questionado especificamente sobre o motivo de Lousada ter ficado "de fora" nesta fase inicial, Telmo Pinto foi perentório a corrigir essa perceção.

"Lousada não está de fora. Lousada está dentro... tem uma resposta, tem uma oferta maior que aquela que tinha. Vai ter no futuro uma oferta maior ainda", esclareceu. Segundo o responsável, fruto do acordo entre o operador, o município e a autoridade da CIM, Lousada dispõe hoje de uma oferta melhor do que a que tinha até ontem, com perspetivas de reforço no próximo ano.

2026: Um ano de ajustes e renovação da frota

A operação arranca com uma frota de 250 veículos, que inclui autocarros mais eficientes e unidades elétricas, cumprindo requisitos de idade média e conforto. O desafio agora passa pelo equilíbrio entre a rapidez e a comodidade.

"Se queremos muitas paragens, não podemos ter um transporte célere, mas a ideia é que consigamos ter viagens mais rápidas e mais cómodas", notou Telmo Pinto, acrescentando que "a celeridade muitas vezes é inimiga das paragens permanentes".

O Primeiro-Secretário assume que será necessária uma "monitorização permanente" e que 2026 será "um ano de ajustes e de reajustes". O grande objetivo estratégico é a transferência modal do transporte individual para o coletivo, transformando viagens ocasionais em regulares.

Para tal, a CIM planeia apostar na sensibilização, especialmente junto da população estudantil, para que estes levem a mensagem às famílias. "O grande objetivo da sustentabilidade do nosso território e do país, e digo mesmo da Europa e do mundo, é fazer com que se valorize mais o transporte público", concluiu.