Edgar Bernardo é o novo presidente do Instituto Superior de Ciências Educativas do Douro (ISCE Douro) de Penafiel. Tomou posse em setembro e é o líder de uma equipa “jovem, com ideias e abordagens científico-pedagógicas. Pretendemos inovar e elevar o ISCE Douro a uma nova fase”.

Em entrevista ao Jornal A VERDADE, o novo presidente explicou que se encontra “numa fase de solidificar o que foi feito, mas, por outro lado, catapultar para o futuro. Nessa medida, temos um conjunto de ofertas no território que já é conhecido, sobretudo centrado nas áreas da educação, educação social, desporto e multimédia”. No próximo ano letivo o ISCE Douro terá, pela primeira vez, “o departamento de turismo a funcionar ativamente com a abertura da Licenciatura em Gestão Turística. O pedido será feito e esperamos, com tudo a correr bem, conseguir abrir esse curso para o próximo ano”.

De acordo com Edgar Bernardo, a abertura de novos cursos tem por base as necessidades identificadas no território da região do Tâmega, Sousa e Douro. “Tivemos várias reuniões e vamos continuar a ter com as diferentes associações empresariais do território. A ideia é, em conjunto com as empresas e com a própria Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e com a Câmara Municipal de Penafiel, perceber quais são as carências e desenvolver cursos”, constatou.

O presidente desvendou ainda que o objetivo, no ano seguinte, é submeter uma candidatura de um novo curso, mais na área do Design de Produto. “Temos um tecido industrial muito forte aqui no território, mas são precisos profissionais especializados, o que só é possível com formação adequada. Mesmo a título de outra formação, como é o caso dos CteSP ou dos mestrados, estamos a planear uma atualização da oferta, a nível de conteúdos. Reconhecemos que é necessário atualizar, não podemos simplesmente abrir uma licenciatura porque noutra instituição há alunos. Queremos cimentar aquela que é a oferta já existente”, disse.

Para que este crescimento seja possível, o ISCE Douro já iniciou conversações com o Município de Penafiel “para a expansão física do instituto. Estamos a discutir os moldes da expansão, ainda não está decidido se será uma infraestrutura de raiz, ou de uma expansão ao espaço já existente. Estamos na fase inicial dessa discussão, mas já temos alguns ciclos de estudo em que simplesmente não conseguimos abrir mais vagas porque não nos é permitido, por causa dessa estrangulação”, descreveu.

Empregabilidade é fator chave

A empregabilidade após a conclusão dos cursos é também um dos principais objetivos da presidência do ISCE Douro.

“Queremos que haja empregabilidade no próprio território. Quando falamos com as empresas, tentamos perceber não só a imagem que as empresas têm do ISCE, como também perceber o que podemos fazer para melhorar essa imagem”, sublinhou.

Neste seguimento, terá início em 2023, “uma incubadora académica de empresas. Por um lado para criar empresas, que não são necessariamente concorrentes às que já existem, mas que complementam as empresas. E por outro lado que possam prestar um tipo de serviços que não existe no território. Depois podem, não só vender essas ideias de negócio a outras empresas, como também podem, eles próprios, fazer crescer a sua própria empresa”.

A previsão é que a referida incubadora decorra “de negociações feitas a três partes, entre câmara municipal, associação empresarial e ISCE Douro”, sendo uma forma de “criar mais oportunidades de emprego”.

ISCE Douro aposta na internacionalização

Outro dos fatores chaves desta direção é a internacionalização do ISCE Douro, sendo que, ainda este ano, há a previsão de receberem cerca de 30 alunos da Guiné-Bissau e de São Tomé e Príncipe. “A ideia será internacionalizar cada vez mais o ISCE Douro. Estamos focados no território, mas isso não implica que não possamos contribuir para o desenvolvimento de outros territórios além fronteiras. Isto é tudo resultado de protocolos que a presidência, neste curto espaço de tempo, conseguiu e temos outras já pensadas com outros países”.

Com a chegada dos alunos, o objetivo é “garantir um excelente acolhimento”, contanto com o apoio da “associação de estudantes, da câmara municipal”, entre outros. “Esperamos que esses alunos sejam bem acolhidos e que possam fazer o seu percurso e trazer cada vez mais alunos para que o ISCE Douro seja mais internacional e não apenas pensado como um instituto superior local. O ISCE Douro pretende ser do Tâmega e Sousa e do Douro, mas de portas abertas para o mundo”.

Estes alunos farão agora parte da família que é o ISCE Douro. “Aqui não há a cantina dos professores e a cantina dos alunos. Neste momento o refeitório está aberto a toda a comunidade, qualquer pessoa pode vir cá ter as suas refeições diárias e isso permite uma maior aproximação, que queremos que se mantenha”, destacou.

Edgar Bernardo refere ainda que é pretensão da direção que “professores e alunos sejam dinâmicos, que estejam em comunicação e que não fiquem fechados naquele modelo de debitar conteúdos. Estamos a exigir cada vez mais aos nossos professores que estejam na crista da onda em termos de produção científica e conhecimento científico”.

O presidente revelou ainda que, em breve, o ISCE Douro terá “um dos maiores especialistas nacionais de jogos tabuleiros modernos e que faz uma série de iniciativas práticas nesse âmbito, em que ele transforma jogos e ferramentas para assuntos sérios. Vamos trazê-lo cá e ele vai dar uma formação aos nosso coordenadores dos departamentos. A ideia é implementar muitas dessas estratégias pedagógicas em sala de aula”.

Edgar Bernardo deixa ainda uma mensagem a toda a comunidade educativa: “o ISCE Douro está de portas abertas literalmente, estão convidados a virem aqui ao nosso refeitório conviver com os alunos. As famílias às vezes têm essa curiosidade de saber para onde os filhos vão estudar, venham visitar-nos, conviver connosco, conversar, partilhar as suas apreensões e as suas expectativas, para perceber de que forma estamos a ir ao encontro delas. Quero também dar as boas vindas aos alunos e convidar a participar nas nossas atividades”.