Mais de 300 campeonatos realizados, mais de 1300 combates feitos e 23 medalhas de campeão nacional. São estes os números de Nuno Moreira, o atleta português mais medalhado de sempre e o mais velho a competir em Portugal na modalidade de Karaté.

Aos 37 anos conta com pódios em campeonatos europeus e mundiais e em entrevista ao Jornal A VERDADE garante que sente “orgulho” em tudo o que já conseguiu alcançar. “Trabalho diariamente para que possa aumentar um bocadinho mais estes resultados”, afirma Nuno Moreira.

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Natural do concelho de Valongo e a residir na Maia, o atleta de alta competição recorda a entrada na modalidade ainda em tenra idade. “O karaté entrou na minha vida aos cinco anos por influência paterna. O meu pai foi meu professor durante muitos anos e a minha irmã mais velha acabou também por entrar na modalidade. Era uma forma de estar mais tempo com eles e desfrutar da modalidade”, recorda.

Apesar do karaté ser a “grande paixão” atual, também a bola de futebol “ganhou força” na infância. “Joguei em alguns clubes, nomeadamente no Futebol Clube do Porto. No entanto, a presença em provas nacionais e internacionais de karaté começou a ser uma constante, acabei por ganhar outro entusiasmo e a partir daí nunca mais deixei. Perdi completamente o bichinho do futebol e passou a ser apenas o karaté”, conta.

Passados alguns anos, Nuno Moreira ainda se lembra da primeira prova em que participou, com cerca de sete anos. “Andava a correr no pavilhão quando me chamaram ao pódio. Eu nem sabia que tinha alcançado qualquer resultado, até porque para mim era uma brincadeira. Quando fui chamado recordo-me de os meus colegas dizerem ‘Nuno estão a chamar-te ao pódio’ e eu mas para quê ‘porque tu ganhaste alguma coisa’. Quando subi ao pódio a sensação foi fantástica e como é óbvio quando ganhamos alguma coisa queremos sempre mais. Este foi o meu primeiro troféu”.

O número de provas começou a ser maior, assim como “a vontade de treinar. O bichinho da competição acabou por se apoderar de mim e então comecei a dar início ao meu currículo”.

Treinava todos os dias e já na faculdade alcançou o “sonho” de conquistar uma medalha no campeonato do mundo. “Medalha que não existia para Portugal. Mas na altura fiz aquilo que nenhuma pessoa deve fazer. Ia para a faculdade todos os dias às 08h00 da manhã e passava o dia todo a treinar no pavilhão da escola. Claro que algumas coisas acabaram por não se concretizar, algumas disciplinas ficaram para trás, mas na verdade eu tinha colocado esse objetivo na cabeça e consegui a primeira medalha (bronze) para Portugal, no Chipre”.

Para esta conquista contribuiu o apoio e a “compreensão total” dos pais. “Às vezes não é fácil tomar estas decisões e ter estas possibilidades de treinar sem que a nossa família se chateie connosco. No meu caso, sempre houve um apoio constante, fundamental para qualquer atleta”, sublinha.

Atualmente, para além de atleta de alta competição, Nuno Moreira é também professor de karaté. Enquanto atleta as ambições são várias e entre elas a conquista do campeonato nacional, que decorre este fim de semana (11 e 12 de fevereiro) em Albufeira e o campeonato da Europa, que terá lugar em Madrid, Espanha, no mês de março. 

Mas viver apenas da modalidade é “impossível, porque os apoios não existem. O profissionalismo não existe como no futebol. E, por isso, é muito mais difícil manter a competição nestas modalidades, por isso é que sou mesmo o atleta mais velho a competir em Portugal e muitas vezes nos campeonatos da Europa e do mundo”, referiu.

O adeus à alta competição será uma realidade que não assusta Nuno Moreira, porque como nos revela “existem outros objetivos e propostas que já foram feitas para ficar como selecionador nacional. É algo que qualquer treinador gostaria de ser e eu também. Penso que poderei passar muita informação e coisas boas para todos os atletas promissores que aí estão”.

No futuro, está também prevista a conclusão da faculdade, interrompida pelo karaté. “É algo que quero mesmo terminar, mas ainda está na gaveta”.

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