O bastonário eleito da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Helder Mota Filipe, afirmou este domingo, dia 6 de fevereiro, que “um dos erros” da gestão da pandemia foi ter afastado “o potencial” oferecido pelos farmacêuticos comunitários do processo de vacinação contra a COVID-19.

Em declarações à agência lusa, o novo bastonário, afirmou que a colaboração da rede de farmácias comunitárias já demonstrou “ser fundamental” na vacinação da gripe, não havendo razão nenhuma para afastar, ignorar este potencial”. Para Helder Mota Filipe, “um dos erros da gestão da pandemia foi a proatividade com que se afastou esta rede de cuidados de saúde no combate à pandemia”.

Além da realização nas farmácias dos testes rápidos de antigénio para deteção da infeção pelo vírus SARS-CoV-2, destacou o papel dos farmacêuticos analistas clínicos que “nunca pararam” e tiveram um “trabalho extraordinário” em toda a componente de rastreio e diagnóstico da COVID-19. Um potencial que “pode ser muito maior”, com um conjunto de alterações.

Na opinião do bastonário, “os farmacêuticos comunitários podiam renovar da prescrição em doentes crónicos que têm de ir ao centro de saúde apenas para pedir a renovação das receitas e depois ir lá buscar, o que poderia ser feito e pode ser feito, e noutros países é feito, por farmacêuticos comunitários”. Defendeu ainda a criação de mecanismos de comunicação entre os farmacêuticos comunitários e as diferentes áreas dos cuidados de saúde, para haver “verdadeiramente a prestação de cuidados de proximidade, com a qualidade adequada, evitando que o doente tenha que andar de um dos serviços para os outros apenas porque os serviços não comunicam uns com os outros”.

O desenvolvimento destes serviços “seriam úteis para os doentes, mas também úteis para retirar a pressão ao próprio serviço nacional de saúde”.