O início do segundo período e do novo ano foi diferente para todos. As aulas começaram mais tarde devido à semana de contenção determinada pelo Governo, uma vez que têm crescido os novos casos de COVID-19 em todo o país. A incerteza e desmotivação têm estado presentes entre os mais novos e mais adultos, mas, em Cinfães, foi implementada uma nova tecnologia dentro de sala de aula que tenta dar mais entusiasmo aos estudantes e docentes.

Numa escola do Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto, em Cinfães, puseram fim ao giz e aos marcadores e disseram sim a mais interatividade e a mais utilização do digital. Durante esta interrupção letiva das festas de fim de ano, foram instalados “smart boards”, ou seja, quadros interativos, que têm sido responsáveis por “um enorme entusiasmo” e um “ambiente de motivação” por parte dos alunos e professores, disse o diretor do agrupamento, Manuel Moreira.

Este projeto resulta de uma candidatura ao POPH – Programa Operacional Potencial Humano e o concurso público foi realizado no verão, mas “só durante esta interrupção foi possível montar os produtos tecnológicos”.

Foto: Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto

A aplicação das novas tecnologias como estas, que são “extraordinárias e têm capacidades absolutamente inacreditáveis”, contribuem para “combater a desmotivação provocada pela pandemia”. No início deste segundo período, Manuel Moreira afirmou que continuam “preocupados” e que “é normal e está a acontecer que os alunos venham um pouquinho angustiados, desmotivados, desinteressados, apáticos”. “Isso, infelizmente, tem vindo a acontecer e não é só em Cinfães, o que é uma preocupação acrescida em termos de sucesso educativo, em termos de criar estratégias para que os alunos retomem o processo normal de aprendizagem com motivação”, completou.

“É normal que estes dois anos de pandemia, esta instabilidade, esta angústia também tenham provocado em todos os atores, sejam eles discentes ou docentes, alguma inquietude e essa inquietude, no caso dos alunos, tem provocado algumas dificuldades em concentração, na capacidade de memorização, nas aprendizagens e geral. Isto implica que as escolas se vejam obrigadas a tentar encontrar soluções de motivação e isso também passa pelos adultos, que não são imunes a esta situação”, afirmou ainda.

Foto: Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto

Manuel Moreira indicou que, no período de testagem de docentes e não docentes que decorre até dia 21 de janeiro, foram detetados “alguns casos positivos assintomáticos”, mas que ainda não têm alunos que tenham ficado em casa por terem testado positivo. Além disso, “a grande maioria” dos docentes e não docentes já tomou a dose de reforço da vacina contra a COVID-19. Com a alteração ao calendário escolar, que implica que não haverá a interrupção do Carnaval e na Páscoa uma semana de interrupção letiva, o diretor admitiu “preocupação”, uma vez que os professores vão trabalhar “cinco, seis meses praticamente seguidos” e “precisam de parar, de descansar”.

O início da pandemia veio trazer algumas adaptações e modificações no método de ensino e na própria maneira de o ser humano se relacionar com o outro. O diretor deste agrupamento destacou que, com os confinamentos, “há conteúdos programáticos que, de alguma forma, não foram trabalhados como era preciso” e há ainda o “problema que é tentar encontrar soluções de recuperação das aprendizagens, que esbarram, muitas vezes, com a falta de recursos humanos e a falta de recursos físicos e, às vezes, com falta de vontade dos interessados”. “É um grande desafio para nós também tentar encontrar formas e fórmulas que possam dar solução aos problemas que temos todos os dias. A necessidade de trabalhar mais, de recuperar aprendizagens, esta situação até é mais grave no primeiro ciclo, porque os alunos são mais novos, têm menos autonomia, precisam de muito mais apoio”, acrescentou.

Foto: Agrupamento de Escolas General Serpa Pinto

Por outro lado, o ensino à distância também se tornou “muito complicado”, com cerca de um terço dos alunos que não tinha meios informáticos e alguns tinham, mas a rede de internet “era muito lenta ou escassa”, tendo sido preciso “levar material a casa e pessoas da escola a ir às aldeias tentar resolver problemas informáticos”. Na altura do segundo confinamento, já haviam computadores, mas manteve-se o problema da internet em algumas zonas, o que permitiu perceber que “não há nada que substitua as aulas presenciais”. “Não se perdeu tudo, porque foi possível recorrer às novas tecnologias, mas a verdade é que, nomeadamente aqueles alunos de famílias com menos recursos ou de localidades onde a internet não era tão rápida foram extremamente prejudicados”, concluiu.

No entanto, a esperança é que, “com as novas regras e orientações da Direção-Geral da Saúde e com algum abrandamento dos efeitos provocados pelo vírus, com alguma maior informação por parte das famílias, que são mais cuidadosas”, “as coisas venham a melhorar substancialmente” e possam chegar ao final do ano letivo “relativamente tranquilos”.

“As escolas são espaços de confiança, acho que a comunidade deve confiar na escola e nos profissionais que trabalham na escola. As escolas são espaços onde continuam a ser garantidas todas as regras de higiene e segurança propostas pela DGS, nós continuamos a cumprir todas as regras, agora, precisamos é que as famílias façam o mesmo”, rematou, sublinhando que “as escolas estão disponíveis para colaborar com as famílias” e são “um espaço aberto à comunidade”.