O Natal é sinónimo de união e amor. É tempo de partilha e de criação de memórias, uma época do ano em que as famílias se encontram para, juntas, viverem momentos inesquecíveis. A ementa já está pensada: bacalhau com batatas cozidas, e dos doces não podem faltar, desde o bolo rei até às rabanadas, o cheiro característico desta época está presente nas casas de todas as famílias.

Nesta edição, especialmente dedicada a esta época, o Jornal A VERDADE traz-lhe a história do casal Glória Soares e Afonso Magalhães, naturais da freguesia de Várzea, Aliviada e Folhada. Um casal que, em conjunto com os seus filhos e netas, vive um “Natal à moda antiga”, onde não falta o “pinheiro do monte e o musgo”.

Os idosos são pais de “duas raparigas e três rapazes”, estes últimos apresentam uma incapacidade cognitiva de 95%. “É algo genético, que só descobrimos quando eles já eram maiores. Os médicos disseram-nos que o corpo cresceu, mas a memória ficou em criança. Andaram a ser seguidos no Maria Pia e depois descobriram que era algo genético, que apenas dava aos rapazes”, descrevem os pais.

Foto: Jornal A VERDADE

Devido a esta situação, o Natal deste casal é sempre vivido a pensar nos filhos. Vão, em conjunto, “buscar o pinheiro e o musgo ao monte, para fazerem o presépio. Gostam muito do Natal e nós fazemos um esforço para lhes dar o que eles mais precisam”.

E não faltam os presentes. São “de acordo com as possibilidades”, mas estes três homens “ficam contentes com qualquer coisa”. Na entrevista, Glória Soares estava sempre “de olho” nos seus três filhos. “Sou mãe e estou sempre preocupada com o bem estar deles, mesmo depois destes anos todos”, garante.

É um Natal com “muitas tradições”, algumas delas características desta família. “No dia 24, ao almoço, comemos ‘batatas reladas’. Muita gente não sabe o que é, mas é algo que fazemos sempre. Cozemos as batatas com pele, porque ficam mais amarelinhas e com mais paladar. Relamos as batatas com um pão e depois passamos na varinha. A minha neta não costuma vir comer a casa ao almoço, mas nesse dia não falha. Gosta muito deste prato”, garante Afonso Magalhães.

Foto: Jornal A VERDADE

Os doces, depois do habitual jantar com batatas cozidas, bacalhau e tronchuda, não faltam em casa de Glória e Afonso. “Temos bolo rei, pão de ló e rabanadas, ou a sopa seca, como se chama. São feitas à moda antiga, no forno”, explica o casal. Após o jantar, segue-se a tradicional troca de prendas, com “um miminho” para cada um deles.

Um Natal vivido na sua essência, em “família e união”, com este casal a garantir, apesar de todas as adversidades da vida, que o mais importante é “estarmos todos juntos, o resto lá se faz. A família é o melhor que temos e a nossa é única. O nosso Natal é feliz, apesar de todas as provações que tivemos ao longo da nossa vida, somos felizes e fazemos de tudo para fazer os nossos felizes”.