Na sequência das notícias que têm alertado para a possibilidade de escassez de alimentos e aumento dos preços nos produtos alimentares, o Ministério da Agricultura esclareceu, numa nota emitida no site do Governo, que “não há, até à data, qualquer motivo que faça antever a possibilidade de escassez de alimentos”.

A mesma nota refere que relativamente aos preços dos produtos alimentares “se verifica uma tendência de aumento” em toda a União Europeia, devido aos “elevados custos” das matérias-primas, fertilizantes e energia. Uma tendência que “poderá ser agravada” devido ao atual conflito militar entre a Rússia e a Ucrânia. 

Um proprietário de um supermercado referiu ao Jornal A VERDADE que atualmente “não existe rutura de stock, o que acontece é que não há tempo para repor o stock, porque as pessoas têm medo de ficar sem os produtos. Isso sim pode conduzir a uma crise porque os preços vão ficar inflacionados com a procura e muitas pessoas vão ficar sem produtos que realmente precisam”, salienta.

O Ministério da Agricultura, que acompanha “permanentemente” o abastecimento alimentar nacional, reuniu no dia 28 de fevereiro com o Grupo de Acompanhamento e Avaliação das Condições de Abastecimento de Bens nos Setores Agroalimentar e do Retalho em Virtude das Dinâmicas de Mercado, “não tendo sido reportados quaisquer riscos de ruptura no abastecimento”.

Também sem qualquer perspectiva de “rupturas de stock ou eventuais problemas na disponibilidade de stock atual e futuro, quer de cereais panificáveis, quer de cereais forrageiros” terminou a reunião no dia 7 de março entre o Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e o Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor reuniram com os principais operadores nacionais (Silopor – Empresa de Silos Portuários, S.A.; Acico – Associação Nacional de Armazenistas, Comerciantes e Importadores de Cereais; Iaca – Associação Portuguesa dos Alimentos Compostos para Animais e APIM – Associação Portuguesa da Indústria da Moagem).

Portugal importa da Ucrânia “principalmente cereais para alimentação animal”, mas já estão em curso contactos com novos fornecedores, “como é o caso da África do Sul”. A nota sublinha ainda que a nível nacional e europeu “já estão em funcionamento grupos de monitorização da situação de abastecimento alimentar, entre os Estados-Membros e as Associações representativas da produção, indústria e comercialização, de modo a avaliar e solucionar eventuais constrangimentos nas cadeias de abastecimento”

De recordar que no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC), o Ministério da Agricultura tem defendido “o aumento da produção agrícola europeia através da permissão do uso para produção das terras em pousio e uma ação coordenada e atempada de antecipação e prevenção de possíveis ruturas de matérias-primas, como, por exemplo, através de compras comuns de fertilizantes”.