A Medicina Interna é a maior especialidade médica hospitalar com mais de três mil especialistas que, anualmente, são responsáveis por mais de 180 mil doentes internados, mais de 580 mil consultas e mais de 4 milhões de episódios de urgência.

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) está a promover o Mês da Medicina Interna, em dezembro, com o objetivo de “destacar a importância desta especialidade médica e dos internistas, no setor da saúde em Portugal, em particular no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Em comunicado, a SPMI explica que “com a chegada do frio, aumento do número de casos de gripe sazonal e problemas respiratórios, o mês de dezembro é a altura do ano em que o trabalho dos internistas é ainda mais necessário e intenso. A ocupação destes serviços cresce 30% neste período”.

No entanto, os problemas não se resumem a esta sazonalidade. “Vivem-se tempos difíceis para a saúde em Portugal, em particular para os portugueses doentes. O SNS parece estar a desmoronar-se e a cada dia que passa descobrem-se novas complicações e descontentamentos, todos com uma base concreta”, afirma Lèlita Santos, presidente da SPMI.

Para Lèlita Santos “o problema é sistémico, mas, do que se fala, é dos Serviços de Urgência (SU). Há um grande número de doentes, os tempos de espera são longos, há falta de cobertura dos turnos nas urgências, os profissionais estão exaustos e os doentes estão cansados”.

A presidente da SPMI continua afirmando que “Portugal é o país da OCDE com maior número de recursos aos Serviços de Urgência por cada 100 habitantes, rondando os 16 mil episódios por 24 horas. Destes, cerca de 41-42% são doentes (habitualmente triados com pulseiras verdes ou azuis), que embora necessitando de atendimento médico rápido, não teriam necessidade de ser atendidos num SU onde outros doentes mais emergentes podem passar despercebidos e aí, o prejuízo é irreversível”.

A SPMI defende assim um maior investimento nos cuidados de saúde primários, criando mais unidades de saúde familiares e promovendo a redução da população sem médico de família. É fundamental investir nos Cuidados de Saúde Hospitalares garantindo médicos qualificados e em número adequado, bem como os outros profissionais de saúde. É necessário investir nas formas alternativas aos SU. É importante alterar o modelo de financiamento dos hospitais e permitir mais autonomia para contratações e aquisição de equipamentos, e haver entidades que avaliem resultados e validem opções.