Marta Teixeira, natural de Amarante, começou aos nove anos a praticar kickboxing, modalidade que a tornou numa pessoa “muito mais leve e tranquila”.

Desde os nove anos que Marta Teixeira trata por “tu” os sacos de boxe. A jovem de 25 anos acompanhava a mãe “que frequentava o ginásio”, onde, por iniciativa da progenitora, se inscreveu nas aulas e teve “o primeiro contacto” com a modalidade de kickboxing. “Enquanto a minha mãe estava no ginásio, eu assistia a aulas de kickboxing, sempre me chamou muito a atenção e ficava muito concentrada”, explica.

Iniciar a prática da modalidade, foi para Marta Teixeira o “primeiro passo para libertar o stress acumulado e ser menos ansiosa. Foi a arte marcial que me deixou muito mais leve e tranquila e o pensar duas vezes antes de agir. Aos 10 anos comecei a ter essa perspectiva e a ver resultados”, sublinha a atleta.

A partir de 2007, oito meses depois de começar a praticar kickboxing, abraçou “a nova paixão” e iniciou a participação em campeonatos. Nesse mesmo ano conquistou o primeiro lugar no Campeonato Regional e no Nacional e em 2012 revalidou os títulos. A “veia de vencedora” manteve-se quando começou a praticar uma outra arte marcial em 2013, o Kempo Chinês, modalidade em que Marta Teixeira foi também campeã regional, nacional e vice-campeã mundial. “Em 2014 fiquei em 2º lugar no Campeonato Regional e no ano seguinte sagrei-me campeã regional e nacional. Em 2017 participei no campeonato do mundo pela Federação portuguesa de Lohan Tao e fiquei em 2º lugar”.

As lesões são um “tormento” para qualquer atleta e Marta Teixeira pode dizê-lo na primeira pessoa. A viver “um grande sonho” no campeonato do mundo, onde “todos os atletas querem estar”, a atleta sofre uma lesão depois do segundo round. “Foi a pior coisa do mundo” é assim que descreve o momento. “Após a lesão fui-me completamente abaixo. Fiquei sem autoestima, fisicamente debilitada e sem vida social. Mas depois de dois meses depois da operação ao joelho já estava em recuperação e em fase de treino”, conta.

Com a chegada inesperada da COVID-19, Marta Teixeira só conseguiu, recentemente, “voltar aos campeonatos para regressar aos títulos” de uma modalidade que tem vindo a “ganhar cada vez mais adeptos”. Para a atleta é preciso desmistificar o que é o kickboxing, “que não se trata apenas de uma preparação física, é, sobretudo, o saber estar, compreender e aceitar”. Marta Teixeira salienta ainda que a modalidade é “muito mais do que força, é mente e alma. A arte marcial, seja qual for, não é violência, porque se o fosse não existiam regras, e não estava presente  nos jogos olímpicos”.

Hoje, são muitas as mulheres que praticam kickboxing, mas quando Marta Teixeira começou vivenciou uma realidade diferente. “Fui muito discriminada por ser mulher e para uma arte marcial porque as pessoas têm a visão de que é violência. Hoje, não sinto isso, muito pelo contrário. Sinto muito apoio e acho que com a pandemia as pessoas começaram a ter outras perspectivas”, frisa. A atleta é também professora, um papel que “usa” para transmitir os valores da modalidade aos alunos que são “maioritariamente mulheres”.

“Kickboxing é uma força de mente e alma” é a mensagem que Marta Teixeira quer deixar bem vincada a todas as pessoas, de qualquer idade, que podem praticar este desporto para “aliviar o stress, espairecer, principalmente, quem sofre de ansiedade e pânico. Cuidarmos de nós tem impacto na forma de estar e socializar”.

No dia 26 de março Marta Teixeira irá disputar a conquista do Campeonato Regional, em Vila Nova de Gaia.