“Velhos são os trapos” é uma expressão que “encaixa como uma luva” na história de Maria Correia Delgado. É natural da freguesia do Marco, do concelho de Marco de Canaveses, e, com 89 anos, atravessa o oceano Atlântico para “fugir” ao frio de Portugal e passar “uns meses” com a sua filha, que vive em terras de Vera Cruz.

Eram quase 22h00 de Portugal, menos três horas no Brasil, quando lhe fizemos a entrevista. Encontra va-se em casa da amiga Ana Mello, com quem se encontra a passar uns dias, e quem diz ser “uma filha do coração”. Foi pela primeira vez para o Brasil tinha apenas 20 anos, em busca de uma vida melhor. “Estive cá quase 20 anos, vivia no Rio de Janeiro”, recorda, com nostalgia.

É mãe de três filhos e passa este tempo do inverno com a sua filha Deolinda Delgado, que vive no Brasil. “Fujo ao inverno de Portugal. Venho para cá todos os anos. Os meus ossos, com a minha idade, estão fraquinhos. É uma forma de estar mais perto da minha família que está aqui, no Brasil”, afirmou.

Embarcou no dia 12 de novembro e o regresso só deve acontecer “em meados de março”, quando em Portugal “já estiver mais calorzinho”. A viagem, essa foi feita sozinha. “Não tenho medo, adoro andar sozinha, com os meus botões e com Deus. Sou uma mulher feliz. Os meus filhos ficam preocupados, mas eu desenrasco-me sozinha e adoro viajar”, garantiu.

Questionada sobre qual o país que mais gosta, Maria Correia Delgado afirma não conseguir escolher um. “Têm os dois moradia no meu coração, por motivos diferentes, mas fazem parte de mim e da minha história”, constatou.

Nestes dias que se encontra em terras de Vera Cruz, a octogenária diz-se “malandra” porque está a descansar. “Gosto de dar um passeio de manhã, de ir à praia e de ver o comércio. De tarde, fico por casa, a descansar”, confidenciou.

Com o Natal a aproximar-se, os preparativos já estão a começar a ser feitos e Maria Correia Delgado já tem planos: “vou passar com a minha filha, num apartamento em Fortaleza”. As tradições? Essas serão “portuguesas, com certeza. Não dispenso o meu bacalhau, nem os pastéis de bacalhau e as rabanadas. A aletria como quando chegar a Portugal”, brincou. Um Natal passado “no quentinho” do Brasil, mas com um pedaço do coração em Portugal, pelos dois outros filhos.

“Mesmo quando estava a viver cá no Rio de Janeiro era sempre com tradições de Portugal, sempre com o bacalhau, as batatas… o Natal tipicamente português”, acrescentou.

No regresso a Portugal, o trajeto já está pensado. “Vou de avião até Lisboa, depois apanho o comboio e saio no Marco. Gosto de fazer essa viagem”, frisou.

Questionada sobre o segredo para a sua longevidade, Maria Correia Delgado garante: “comer de tudo. Não faço extravagâncias, gosto muito de fazer caminhadas e de andar. Esse é o meu segredo”, finalizou.

Com 89 anos, Maria Correia Delgado é vista como “uma força da natureza” por quem a conhece. Vê a vida “de uma forma muito positiva, sem medos” e garante que é esta positividade que a ajuda “a ultrapassar os momentos menos bons na vida e a encarar o futuro com muita esperança”. Como ela própria diz, “vai dar tudo certo”.