Marcos Antunes é natural de Resende e, em janeiro deste ano, foi nomeado selecionador nacional de futsal sénior masculino de Angola. Sente-se “extremamente contente” pela forma como tem sido recebido no país nestes primeiros dias.

Para começar, a viagem traduziu-se em oito horas de “enorme responsabilidade”. “Ser selecionador nacional de Futsal de Angola, país com cerca de 40 milhões de habitantes, é uma responsabilidade gigantesca. O Futsal é o desporto do povo e deu para notar isso logo na chegada, onde fui muito solicitado”, conta ao Jornal A VERDADE.

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Nesse mesmo dia da chegada, realizou algumas observações ao Campeonato Provincial de Luanda, assistindo a quatro jogos, “onde cerca de 2.500 pessoas não arredam pé”. No sábado, fez mais observações e, no domingo, frequentou uma Formação de Treinadores na capital do país. Três dias depois, fez treinos de observação masculino e feminino dos jogadores e jogadoras, estas pela primeira vez pré-selecionadas. De seguida, partiu para as províncias do Namibe, Huila e Benguela.

“Dias cansativos de sucessivas viagens, mas muito produtivos no contexto de observações que nos propusemos”, completa, indicando que observaram um total de 120 atletas masculinos e 35 femininos.

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“Fiquei extremamente contente da forma que fui recebido em todo o país, pelos adeptos, amantes da modalidade e intervenientes na mesma. Senti-me verdadeiramente em casa e isso facilitou imenso o meu trabalho e integração”, sublinha, acrescentando que os atletas perceberam o processo de treino que pretendem implementar e a equipa técnica foi “coesa, recetiva e solidária com o processo a implementar”.

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“Desde o hotel onde fiquei até todas as pessoas na rua, nos estabelecimentos que frequentei foram uns excelentes exemplos da forma de bem receber e de serem cordiais. Nunca se falou tanto de Futsal em Angola como nestes 15 dias que lá estive, onde a Comunicação Social Angolana foi importante na dinamização e acompanhamento das atividades da Federação Angolana de Futsal. Patrocinadores e entidades oficiais foram excelentes também ao receber-me e a quererem estar comigo: até fui convidado para um almoço na residência oficial do embaixador de Portugal em Angola”, revela.

“Angola tem tudo para ser uma referência grande do Futsal Africano. Temos condições, precisamos de organizar-nos e todos fazermos, juntos, evoluir o espetáculo, o treino e assim a modalidade. Da minha parte podem contar com imenso trabalho”, garante.

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Já se iniciaram os Campeonatos Provinciais de Formação de Sub-15 e Sub-18, que, “pela primeira vez, terão um Campeonato Nacional”. O Futsal Feminino teve “a atenção que merece e será, sem dúvida, uma aposta forte”.

“Formamos mais de 60 técnicos e dirigentes, o que permitirá em breve, com o Instituto Jean Piaget de Luanda, termos formação certificada para treinadores e outros elementos do processo de desenvolvimento do Futsal. Abriremos uma Academia de referência no Centro Cultural Paz e Flor, bem como a implementação do projeto Nzoji de Inclusão Social através do Futsal. Será este o caminho. Desportivamente, iremos planificar as datas FIFA para jogos de preparação, tendo em vista o CAN 2023, que se realiza em fevereiro”, remata.